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Economic Briefing: Standard Bank antevê ajustamento macroeconómico em Moçambique em 2027

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O Standard Bank considera que 2027 poderá ser um ano de ajustamento macroeconómico em Moçambique, num contexto de pressões fiscais, desequilíbrios no mercado cambial e recuperação lenta da actividade económica.

Segundo uma análise apresentada pelo seu economista-chefe, Fáusio Mussá, a consolidação fiscal e as reformas estruturais serão necessárias para restaurar a estabilidade macroeconómica e criar condições para um crescimento mais sustentável e inclusivo, independentemente da existência de um programa de financiamento com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Estas perspectivas foram apresentadas na quinta-feira, 5 de Novembro de 2026, em Maputo, durante a 23.ª edição do Economic Briefing do Standard Bank, um espaço de análise e diálogo que apoia clientes, parceiros e a sociedade em geral na tomada de decisões.

“Com ou sem um programa de financiamento com o Fundo Monetário Internacional, um ajustamento macroeconómico é inevitável”, disse o economista-chefe do Standard Bank, que identificou as pressões sobre a dívida pública como um dos principais desafios à estabilidade económica do País.

No relatório publicado em Fevereiro de 2026, o FMI avaliou a dívida pública como insustentável no quadro das políticas então vigentes. Segundo Fáusio Mussá, os progressos na consolidação fiscal serão importantes para melhorar as condições de financiamento do Estado.

O economista defendeu, igualmente, uma maior flexibilidade cambial face aos constrangimentos associados à escassez de divisas e às suas implicações para a actividade económica e o investimento fora do sector dos recursos naturais.

De acordo com as projecções do Banco, a economia moçambicana deverá manter uma recuperação lenta em 2027, com um crescimento em torno dos 2,3%, inferior à expansão populacional, estimada em 2,7%, o que se revela insuficiente para produzir efeitos significativos na geração de emprego e na redução da pobreza.

Relativamente às perspectivas de médio prazo, Fáusio Mussá considerou que o avanço dos projectos de Gás Natural Liquefeito (GNL) da Bacia do Rovuma poderá impulsionar o crescimento económico para taxas de dois dígitos a partir do último trimestre de 2028.

Contudo, esta expansão não deverá traduzir-se imediatamente num aumento substancial das receitas do Estado nem na criação de postos de trabalho, pelo que serão necessárias reformas estruturais que promovam a diversificação económica e um crescimento mais inclusivo. “As sementes para esse crescimento mais inclusivo ainda precisam de ser lançadas. Pode ser que no próximo ano haja reformas nessa direcção”.

No plano internacional, o Standard Bank prevê que as tensões geopolíticas e os conflitos continuem a caracterizar a economia mundial, a curto prazo, sobretudo no Médio Oriente, o que poderá traduzir-se na manutenção da pressão sobre a oferta e os preços dos combustíveis e fertilizantes, bem como sobre os preços dos alimentos e a inflação.

Apesar destes constrangimentos, o crescimento económico global deverá manter-se resiliente, situando-se entre 3% e 3,4%, embora persistam riscos de desaceleração.

Na ocasião, o administrador-delegado interino do Standard Bank, Agnaldo Mavera, sublinhou a importância da cooperação entre os diferentes intervenientes económicos para enfrentar os desafios do País, tendo apontado o diálogo como uma ferramenta essencial para a identificação de soluções e oportunidades de desenvolvimento.

“Da nossa parte, queremos participar neste diálogo com sentido de responsabilidade e foco em soluções. É esse o propósito deste Economic Briefing: ajudar-nos a compreender melhor os riscos, identificar oportunidades e tomar decisões mais informadas”, afirmou. Agnaldo Mavera acrescentou que o papel do Standard Bank vai além da oferta de produtos e serviços bancários, passando pela partilha de conhecimento, pela compreensão dos desafios dos clientes e pelo apoio às suas decisões de investimento e crescimento.

Sob o tema “Moçambique num Ponto de Inflexão: Reformas, Estabilidade Macroeconómica e Condições para o Crescimento”, o encontro incluiu um painel com Alfredo Mutombene, director nacional de Análises Fiscais e Financeiras do Ministério das Finanças e Olamide Harrison, representante residente do FMI em Moçambique.

O debate abordou a reforma fiscal, a sustentabilidade das finanças públicas e as condições para um novo ciclo de investimento. O encontro reuniu clientes, parceiros do Standard Bank, representantes do Governo, do corpo diplomático e de associações empresariais.

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