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Dois mortos num ataque a caçadores furtivos em Funhalouro

Dois mortos e quatro feridos, três dos quais em estado grave, é o balanço resultante da ofensiva lançada contra um grupo de oito caçadores furtivos, ocorrido no distrito de Funhalouro, província de Inhambane, na zona sul de Moçambique.

Joaquim Chongola, comandante distrital da polícia em Funhalouro, disse que o grupo fazia-se transportar numa viatura de marca Isuzu, quando foi atacado no dia 10 de Junho corrente, por um agente de policiamento comunitário, sob ordens do líder da região de Maganhe, Alfredo Mazive.

Rodrigues Tamele, administrador do distrito de Massinga, conta que o grupo da polícia comunitária de Manganhe, comandado pelo respectivo líder comunitário, antigo estratega militar, fez uma emboscada contra o grupo de caçadores furtivos idos da região de Marilane, que à calada da noite praticavam caça na zona.

Segundo Tamele, citado pelo matutino “Noticias”, os caçadores recusaram-se a parar a viatura para ser fiscalizada pelos agentes da polícia comunitária, tendo o líder deste grupo de policiamento, Alfredo Mazive, ordenado a abertura de fogo contra a viatura em movimento.

Foi neste momento em que foram atingidos mortalmente dois caçadores, tendo os outros quatro ficado feridos, três dos quais em estado grave.

“Mesmo assim a viatura não parou. Continuou até Marilane, local de proveniência deste grupo de caçadores furtivos” – disse Tamele.

Depois deste acontecimento o líder comunitário de Marilane, (local de onde partiram os caçadores), organizou um grupo de 12 homens armados e dirigiu-se ao local onde seus homens sofreram baixas com vista a identificar o comandante do ataque.

Os enviados não encontraram o líder comunitário de Manganhe nem o agente de policiamento comunitário que atirou contra a viatura e, como retaliação, raptaram a esposa do líder comunitário e seus três filhos para o povoado de Balata, em Massinga, de onde eram oriundos os dois caçadores furtivos mortos.

Não satisfeito com o acontecimento, o líder comunitário de Balata, equipou cinco homens e dirigiu-se de novo à região de Manganhe para capturar o líder Alfredo Mazive, com vista a assumir as despesas dos funerais dos dois finados, nomeadamente Luís Handela e Simões Silva Mazive e as despesas de tratamento dos feridos, que na altura, já se encontravam no Hospital Rural da Massinga.

A família do líder comunitário, que na altura estava fugitivo, entregou a esse grupo 100 tábuas de madeira e uma quantia no valor de dois mil meticais para custear as despesas dos funerais dos dois finados. Segundo contou o administrador de Massinga, este conflito só chegou às autoridades governamentais locais através do secretário do comité de círculo de Balata, depois de ter tentado aproximar os líderes comunitários de Marilane e Manganhe para pararem com os confrontos armados e resolverem o problema pacificamente.

“Pela delicadeza do assunto, uma delegação do Governo da Massinga, liderada pelo respectivo administrador, deslocou-se ao distrito vizinho de Funhalouro para, em conjunto com o governo local, delinear estratégias para o controlo da caça furtiva, bem como do fabrico caseiro de armas de fogo em ambos os distritos”, disse Rodrigues Tamele.

A Polícia da República de Moçambique (PRM) em Funhalouro já instaurou um processo-crime contra os autores do ataque de Manganhe, enquanto decorre em Massinga uma campanha de recolha de todas as armas de fabrico caseiro, tendo sido recolhidas 190 armas e alguns cartuchos usados pelos caçadores furtivos.

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