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‘@Verdade da Manhiça: Dói-me a vista

Logo pela manhã recebo um convite para um encontro de amigos do “Facebook” num desses vários sítios de socialização que só a cidade das acácias oferece. Emocionei-me com o convite e tratei de me organizar pormenorizadamente para o referido encontro marcado para as 20 horas.

Tratei de sair mais cedo por me encontrar a 80 km da cidade de Maputo, na Vila da Manhiça. Como sempre, efi ciente e assíduo no cumprimento do horário, cheguei ao local 20 minutos mais cedo e, para a minha satisfação, a malta já lá se encontrava entre sorvos de cerveja e conversas de espairecer.

Depois da habitual apresentação, juntei- -me ao grupo que, de tantos assuntos, mais se entusiasmava com o da política. Entrámos para o recinto adentro. Um amigo fez a gentileza de me pagar o ingresso ao local que eu desconhecia completamente, mas que parecia uma discoteca.

O local estava abarrotado de gente na sua larga maioria adolescentes, tal que nem conseguimos assentos para nos aconchegar. Ficámos ali, em pé.

O mais incrível naquele local é que a maioria das moças, se não todas, estavam imoralmente vestidas com indumentárias de excitar qualquer um, tudo acima do joelho. Algumas acompanhadas e outras não.

Sem mais nem menos, é anunciada pelo servente do bar a subida ao pequeno palco (ali existente) duma “voz do momento”. Estranhei a adjectivação, mas esperei com os ouvidos bem abertos pela subida ao palco dessa “voz”.

Dito e feito, subiram ao palco três moças extravagantes, uma segurando o microfone. Começaram com um desfile erótico pelo palanque e depois passaram à música. Donde me encontrava não era possível ouvir a tal voz do momento, senão o coro feito pela multidão com os seguintes dizeres: “preta negra! preta negra! ni mulandêêê”.

Confesso que era o mais lúcido naquele recinto, nem mais o propósito que ali me levara era relevante. As três moças ainda em palco esboçavam danças sensuais que me recordam o vídeo das “Brasileirinhas, as Popuzadas do Funk”. Estavam, como muitas, vestidas a “sexy” com pernas ao relento. “Acho que o show ainda não começou” , pensei comigo.

Aproximei-me do “garçon” apresentador e questionei-lhe: “Muzaya! Fala a verdade. Aquilo é a voz ou são as pernas do momento, preparadas para brindar o pessoal? “. Como homem de meias palavras não se faz de rogado: “Aproveite, use mas não abuse. Está no local certo”, respondeu-me o “garçon”.

Nada percebi, voltei à companhia dos amigos e procurei de um deles saber acerca do local, tendo-me dito que estava no sítio certo e que devia comportar-me como um “vaphana va hotele”. Fiquei asnático com estas palavras.

Atónito e cada vez mais confuso, principalmente com o ambiente e com as respostas obtidas, é anunciada a subida ao palco de duas celebridades que, segundo os dizeres do apresentador, deram os seus primeiros passos naquele local: miss de sei lá o quê, acompanhada pela miss de de…

A indumentária era imoral das duas, onde igualmente e sem muito esforço, era visível a falta de algo mais interior numa delas. E a multidão toda alegre, desta vez vozeava: “este marido agora é meu, ele agora é meu”.

Já não me sossegava e sentia um desconforto em meu organismo. Despedi-me dos amigos alegando estar com problemas sérios no estômago, embora o problema estivesse mais abaixo.

Já fora do recinto e com a mão no bolso para ocultar a minha afl ição, olho com espanto para a placa com o nome daquele local. E num ápice me indago: “ Será que as nossas jovens artistas nascem, brilham e ganham inspiração aqui? ”.

Não encontrei resposta, apenas memorizei o nome escrito naquela placa: LUZO.

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