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Diplomacia sul-africana admite contactos com partido Renamo para mediação da crise política

O embaixador sul-africano em Maputo admitiu nesta sexta-feira(19) que a ministra dos Negócios Estrangeiros do seu país tem conhecimento sobre o pedido da Renamo ao Presidente Zuma para mediação da crise política em Moçambique. “A ministra dos Negócios Estrangeiros sul-africana [Maite Nkoana Mashabane] tinha conhecimento sobre a correspondência entre o Governo sul-africano e o partido Renamo, mas esta correspondência era privada e não domínio público”, afirmou Mandis Mpahlwa, falando durante uma conferência de imprensa em Maputo.

Após a chefe da diplomacia de Pretória ter dito, numa visita de trabalho a Maputo, no dia 10 de fevereiro, que não recebeu nenhum convite “nem da parte do Governo moçambicano nem da parte da Renamo”, o porta-voz do maior partido de oposição apresentou uma carta do gabinete do Presidente sul-africano a responder ao pedido do maior partido de oposição de mediação da crise política em Moçambique.

“Se a ministra não respondeu e nem falou da existência desta carta foi porque era um assunto ainda de domínio privado entre duas instituições”, reiterou Mandis Mpahlwa, lamentando o “uso de uma linguagem tão forte e infeliz” por parte da Renamo, que apresentou as cartas, com datas de 19 de Outubro e 25 de Novembro de 2015, em conferência de imprensa em Maputo.

Mandis Mpahlwa esclareceu que, ao desmentir a existência de um pedido para mediar as negociações, a chefe da diplomacia sul-africano referia-se a uma comunicação oficial, fruto de uma discussão entre as partes. “Com a relação bilateral existente entre os dois estados, o Governo sul-africano esperaria receber uma comunicação formal, e, até agora, tal posição não foi tomada”, sustentou, sublinhando que a África do Sul é um dos países mais interessados no bem-estar dos moçambicanos.

O líder do partido Renamo, Afonso Dhlakama, disse, a 22 de Janeiro, em entrevista à Lusa, estar na posse de uma resposta positiva por escrito do Presidente sul-africano, Jacob Zuma, e da Igreja Católica, ao pedido que lhes dirigiu para mediarem a crise política em Moçambique.

Na conferência de imprensa, o alto-comissário sul-africano em Moçambique convidou os jornalistas a relerem o conteúdo da resposta do gabinete da presidência sul-africana, que reitera a necessidade de o assunto ser primeiro acordado entre as partes.

“A resposta que nós demos ao pedido da Renamo não faz nenhuma menção a aceitação deste papel”, declarou Mandis Mpahlwa, acrescentando que, apesar de não responder por Zuma, sabe, no entanto, que o Presidente sul-africano estará sempre aberto a ajudar os moçambicanos.

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