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Dhlakama volta a acusar Frelimo por ataque no centro de Moçambique, Polícia diz que Renamo matou civil

Governo e Polícia longe de esclarecerem o ataque de sexta-feira em Manica

O líder do partido Renamo, Afonso Dhlakama, considerou “lamentável a aposta do partido Frelimo de um ataque” à sua comitiva, na zona de Zimpinga, Gondola, centro de Moçambique, mas assegurou que não se vai vingar. Entretanto Polícia da República de Moçambique afirmou que o incidente foi provocado pela guarda do presidente do maior partido de oposição, ao abrir fogo sobre uma viatura e matando um civil.

“Como já disse, Deus existe. Mas é bonito assim, e que estejam a fazer assim (emboscadas), porque, no dia que a Renamo declarar ou pretender declarar a guerra mesmo no país, ninguém irá nos condenar”, afirmou Afonso Dhlakama à Lusa no local do incidente.

Dhlakama referiu que não vai se vingar do ataque para não criar o caos no seio da população, mas apelou ao partido Frelimo, “para parar, porque isso é uma brincadeira de mau gosto”.

O líder da Renamo disse à Lusa que escapou ileso nesta sexta-feira(25) a um novo ataque em menos de duas semanas na província de Manica, centro de Moçambique. O ataque ocorreu no início da tarde na Estrada Nacional 6 (EN6) em Zimpinga, distrito de Gondola, quando a comitiva da Renamo seguia para Nampula, segundo o presidente do partido

“Nunca pensei que depois de 23 anos da ‘paz’, entre aspas, a Frelimo em pleno dia fosse nos atacar”, afirmou Dhlakama.

O dirigente da oposição mencionou que três dos seus guardas foram feridos, mas o jornalista da Lusa que se dirigiu para o local observou pelo menos nove mortos, entre os quais dois homens com uniformes da Renamo. No local, estava também um “chapa” (carrinha de transporte semipúblico) acidentado, cujo motorista morreu, bem como alguns dos passageiros.

A Lusa testemunhou ainda a existência de civis feridos, em número incerto, alguns dos quais com marcas de balas. “É guerra, em guerra morre-se e fere-se”, comentou Afonso Dhlakama, referindo que os tiros saíram de uma elevação próxima da estrada e que os seus homens apreenderam três armas, uma das quais AK47, um carregador com munições e uma arma antitanque RPG7, que disse pertencerem às forças governamentais.

Os homens da Renamo, descreveu, responderam aos tiros e entraram mata adentro em perseguição dos supostos atacantes, acrescentando que, “se não fugissem, seriam capturados à mão” e que os ataques estão a “estão a fazer morrer os filhos do dono”.

Dhlakama apelou para que o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, leve a sério a actual situação e pare os ataques. “Ele, Nyusi, é que roubou-me votos, ele é que me atacou e nem tem capacidade militar”, afirmou o presidente do maior partido de oposição, insistindo que, apesar da suposta emboscada, os seus homens conseguiram “correr com eles (os alegados atacantes)”.

Após o ataque, declarou, quatro viaturas 4X4 de cabina dupla brancas aproximaram-se do local da emboscada carregando militares, mas estes, segundo Dhlakama, viriam a recuar quando se depararam com a comitiva da Renamo imobilizada. Além dos mortos deitados na estrada e, na encosta junto da via, de onde terá partido o alegado ataque, vários civis permaneciam deitados, à espera de socorro.

O trânsito rodoviário no troço Beira-Machipanda foi interrompido, levando a longas filas de camiões e transportes públicos na região da Maforga.

“Estão a criar instabilidade nas estradas, mas há pessoas que querem passar da Beira para Chimoio, isso é retardar o desenvolvimento, mas é a Frelimo que diz quer a paz, é a Frelimo”, insistiu Afonso Dhlakama. Este é o segundo incidente em menos de duas semanas que envolve o líder da Renamo, depois de no passado dia 12 de Setembro, a comitiva de Dhlakama ter sido atacada perto do Chimoio, também na província de Manica.

Polícia moçambicana atribui incidente e morte de um civil à Renamo

“O que custa é descobrir quem está a fazer os desmandos, mas nós já descobrimos, são homens da Renamo, estavam numa caravana, dispararam e atingiram mortalmente alguém”, afirmou, em declarações à Rádio Moçambique, o comandante da polícia em Manica.

Segundo Armando Canhenze, a polícia estava ainda a reunir mais informações, mas, adiantou, “sabe-se que (homens da Renamo) alvejaram mortalmente o cidadão civil”.

O comandante da polícia desconhece “as razões que motivaram aquele disparo, até atingirem aquele homem mortalmente”, descrevendo “uma situação de pânico”, em que os passageiros da viatura fugiram em debandada para as matas e a existência de dois feridos a precisar de socorro.

Na descrição da polícia à Rádio Moçambique, “ocorreu um incidente envolvendo a caravana da Renamo de 16 viaturas com homens devidamente fardados e armados, em número de oito em cada viatura” e que, ao passar por Gongola, antes de Inchope, “dispararam para um carro civil”.

Depois daquele incidente, prosseguiu Canheze, “começaram a soar os tiros e isso cria pânico na população, é uma zona movimentada, e pessoas pensaram que era o reinício da guerra”.

“A circulação de pessoas e bens tem problemas, é um assunto que tem a ver com a segurança, por isso mandei homens para se aperceberem do que estava a acontecer”, assinalou ainda o comandante da polícia em Manica, acrescentando que admite abrir um processo legal visando a comitiva de Dhlakama.

“Com a nossa presença, acho que a situação vai abrandar. Mais tarde, numa altura oportuna, admito fazer procedimento legal, abrir expediente contra a caravana da Renamo para se apurar quem disparou e, de forma legal, ser responsabilizado por este comportamento maléfico”, declarou.

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