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Dezenas de mortos em três dias de violência no Iémen

Os últimos três dias de confrontos no Iémen, que opuseram as forças do regime a oposicionistas membros da tribo Hashed – liderada pelo xeque Sadek al-Ahmar –, já provocaram a morte de, pelo menos, 44 pessoas. Al-Hasaba, um bairro no norte da capital Sanaa, onde se encontra a casa de Sadek al-Ahmar, tem sido o palco dos mortíferos combates obrigando civis, que se viram sem água e sem electricidade, a fugir das suas casas.

Nesta quarta-feira, na sequência dos confrontos, os rebeldes garantiam ter assumido o controlo de diversos edifícios públicos em Sanaa, como o da agência noticiosa estatal Saba e o da companhia aérea iemenita, tendo havido também uma tentativa de tomar as instalações do Ministério do Interior, de acordo com a AFP.

O xeque Sadek al-Ahmar, o líder da tribo Hashed – a mais poderosa do país e da qual faz parte o Presidente Ali Abdullah Saleh –, fora anteriormente apoiante do regime mas, em Março, apelou a uma “saída honrosa” do chefe de Estado, juntando-se aos manifestantes pró-democracia. Os recentes confrontos eclodiram na segunda-feira, um dia depois de Saleh ter recusado assinar um acordo que previa a sua saída do poder, num prazo de 30 dias. Foi a terceira vez que Saleh “fugiu” à assinatura do documento desde o início da vaga de contestação, no fim de Janeiro.

Apesar da pressão tanto interna como internacional para abandonar o poder, o Presidente iemenita não parece disposto a ceder e voltou a desafiar os rebeldes num comunicado divulgado pelo seu porta-voz, Ahmed al-Soufi, em que garante que não se afastará. “Não deixarei o poder nem o Iémen”, adianta Saleh, que nega o risco de o país entrar em guerra civil ou de se transformar “num Estado falhado ou num refúgio da Al-Qaeda”. E adianta: “Não recebo ordens do exterior”. No comunicado, o Presidente iemenita afirma-se preparado para assinar um acordo de transição, mas “no âmbito de um diálogo nacional e com um mecanismo transparente.”

As palavras de Ali Abdullah Saleh representam também uma rejeição do apelo feito pelo Presidente norte-americano, Barack Obama, que pediu durante uma conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro britânico David Cameron, uma acção imediata e empenhada no sentido da transferência de poder no Iémen, onde o regime de Saleh já se prolonga há mais de três décadas.

Desde o início das manifestações no Iémen, o mais pobre dos países árabes, já morreram mais de 180 pessoas em consequência da violenta repressão com que o regime tem respondido aos protestos.

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