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Dançarinos campeões

Moçambique conquistou, no último sábado (02), o campeonato de dança desportiva denominado The Summer Challenge Dance Competition, prova que teve lugar em Manzini, na Suazilândia. O país, que participou naquela competição na qualidade de convidado especial, esteve representando por dois pares.

Fizeram parte do evento um total de seis pares, em representação de Moçambique e da Suazilândia, cujas categorias em disputa foram Latino-americanas e Clássicas nos níveis de novice bem como de pré-champioship. O par Calisto Muchanga e Dónia Tembe, que competiu no nível novice, venceu as duas categorias em que esteve inserido, enquanto Ademar Chaúque e Sharon da Cruz, no nível pré-champioship, ficaram em primeiro lugar somente na categoria Latino-americanas.

Dados facultados ao @Verdade indicam que esta não é a primeira vez que estes jovens atletas moçambicanos participam num evento do género e conquistam medalhas. Por diversas vezes representaram a bandeira nacional em vários países da região austral de África, com destaque para a África do Sul, o Lesoto, o Botswana e a Suazilândia.

Estes dois pares – ainda que desconhecidos – fazem parte da Associação de Atletas de Dança Desportiva (AADD), cuja sede está instalada na cidade capital, Maputo, com os estatutos aprovados há mais de dois anos. A mesma existe desde 2008.

O que é a AADD?

É uma associação de atletas de dança desportiva, uma instituição sem fins lucrativos que surge no âmbito da necessidade de divulgação e expansão da dança desportiva em Moçambique. Foi formalizada em 2011 como forma de unir os atletas desta modalidade desportiva não reconhecida pelo Estado, bem como criar uma base consistente para a defesa dos seus interesses.

Muito antes de esta associação ser reconhecida, a dança desportiva em Moçambique já era praticada, cujo início data de 2008. Neste momento, ela conta com 40 atletas espalhados por três núcleos nas cidades de Maputo e Matola.

Tem como maior desafio a expansão desta modalidade assim como conseguir a sua legalização por via do Ministério da Juventude e Desportos para, a partir daí, poder contar com apoio financeiro, com vista a poder desenvolver as suas actividades sem sobressaltos.

Sem patrocinadores, muito menos competições internas

Apesar de constituir uma das poucas modalidades que consegue orgulhar o país além-fronteiras e com alguma regularidade na participação em eventos internacionais, a dança desportiva ainda está longe de ocupar um lugar no leque do desporto praticado em Moçambique. Debate-se com muitas dificuldades, com destaque para o não reconhecimento, a falta de apoio e consequente marginalização por parte do Governo moçambicano.

Os atletas recorrem, quase sempre, a fundos próprios para custear as despesas de transporte e alojamento em caso de uma eventual competição. Aliás, a própria AADD sobrevive de quotas pagas pelos atletas.

“Por enquanto não contamos com nenhum patrocínio e sempre que temos de competir recorremos a meios próprios; refiro-me ao transporte e ao alojamento. Situação diferente viveu-se nesta última viagem à Suazilândia, na qual a associação arcou com todas as despesas” afirmou Sharon da Cruz, uma das atletas.

Outro grande problema que esta modalidade enfrenta tem muito a ver com a falta de competições internas, factor que torna os níveis de rodagem dos atletas bastante reduzidos em comparação com os de outros países.

Campeonato Nacional de Dança Desportiva em manga

Neste momento a AADD está a envidar esforços no sentido de organizar o primeiro Campeonato de Dança Desportiva em Moçambique. Segundo as previsões, este certame irá decorrer nos princípios do mês de Novembro do ano em curso, de modo a culminar com as comemorações do dia da cidade.

Ademar Chaúque, atleta e presidente desta agremiação, falando à nossa equipa de reportagem, revelou que “neste momento a associação está a trabalhar no sentido de encontrar parcerias para tornar possível este certame”.

Segundo a mesma fonte, até ao momento o Conselho Municipal da Cidade de Maputo é o único parceiro que se mostrou disponível a dar apoio, esperando-se, porém, que outras portas se abram para que este campeonato decorra sem sobressaltos.

Sabe-se ainda que o campeonato servirá igualmente de retribuição dos convites internacionais, e espera-se a presença de atletas de vários países como Portugal, Espanha, Itália e Brasil, como forma de também beber da experiência destes.

Os pares dançarinos

Ademar e Sharon

Ademar Anselmo Chaúque, ou simplesmente Ademar, é um jovem atleta de 29 anos de idade. A sua vida como atleta confunde-se um pouco com a história de existência desta modalidade em Moçambique, por ser um dos pioneiros da mesma.

É estudante do ensino superior e iniciou-se na dança no Centro de Pesquisa Coreográfica, onde, a partir de 2008, se tornou atleta. O seu maior sonho é competir ao mais alto nível.

Ademar diz ser um jovem muito satisfeito pela conquista de mais um prémio e acredita que ainda há muito trabalho por fazer pois estas vitórias só lhes atribui mais responsabilidade no que diz respeito ao ritmo competitivo.

Sharon da Cruz, de 22 anos de idade, é atleta de dança desportiva há pouco menos de um ano. Competiu pela primeira vez em 2013 no torneio que decorreu em Manzini e conquistou o seu primeiro prémio.

É formada em linguística e divide o seu trabalho com a dança desportiva, uma gincana que, segundo ela, é muito puxada devido às exigências desta modalidade. O seu sonho é de um dia competir nos melhores campeonatos europeus que são, para si, uma grande referência a nível internacional.

Calisto e Donia

Calisto Edson Muchanga tem 23 anos de idade, dos quais cinco dedicados exclusivamente à dança e três como atleta. É uma das referências deste desporto, com participação recorde em oito competições internacionais.

Diz-se muito feliz e orgulhoso por ter, nesta última competição, representado condignamente o país. Conta que o prémio foi fruto de um trabalho árduo de muitos anos. O seu sonho é atingir o nível profissional e competir a nível intercontinental, e, quiçá escalar os melhores salões de dança desportiva do Mundo.

Donia Tembe, de 24 anos de idade, começou a competir na dança desportiva em 2011, tendo arrecadado várias medalhas em cinco presenças até o momento. O prémio que venceu em Manzini, na Suazilândia, é para si motivo de muito orgulho, ainda que tenha sido fácil, pelo baixo ritmo competitivo dos seus adversários.

O seu maior sonho é competir no “Black pool, considerada a melhor competição profissional de dança desportiva da Inglaterra, para onde convergem os grandes nomes desta modalidade do mundo.

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