Para continuarmos  a fazer jornalismo independente dos políticos e da vontade dos anunciantes o @Verdade passou a ter um preço.

Crise na zona euro não afecta a exportação do camarão

As exportações do camarão moçambicano continuam a resistir à crise financeira que actualmente afecta a zona euro, a pior em toda a sua história.

Actualmente, a União Europeia e a África do Sul são os principais mercados das exportações de camarão de Moçambique.

Na zona euro, esta crise traduz-se em despedimentos massivos e contenção de custos, cujas consequências incluem a redução de importações.

Falando em entrevista à AIM sobre o impacto da crise na zona euro nas pescas em Moçambique, o vice-ministro do pelouro, Gabriel Muthisse, mostra-se tranquilo e assevera que a mesma não afectou o sector, particularmente o camarão, uma das maiores fontes de divisas.

“A crise económica na Europa não afectou o mercado de exportação de camarão”, disse Muthisse, reconhecendo que, actualmente, os principais mercados são a Europa e a África do Sul. Muthisse explica-se, e esclarece “a quantidade de camarão moçambicano que entra no mercado mundial é marginal. O mercado mundial envolve quantidades astronómicas”.

Moçambique não tem um peso dominante nas quantidades de camarão que circulam no mundo. Assim sendo, “a crise economia não nos pode afectar da mesma forma como aos grandes produtores de camarão do mundo”.

“Por isso, para nós a crise mundial tem um impacto muito reduzido”, sublinha. Segundo o vice-ministro, entre os principais atractivos do camarão capturado em Moçambique destacam-se a textura e sabor únicos que são de qualidade impar no mundo inteiro.

Por isso, explicou, “existem alguns países, como o Madagáscar, que fazem questão de mencionar nas suas embalagens ‘camarão do Canal de Moçambique’, como forma de tentar associar a origem do seu camarão com o capturado em Moçambique”.

Exportações poderão atingir 68 milhões USD em 2012

Segundo Muthise, Moçambique poderá arrecadar cerca de 68 milhões de dólares norte-americanos até finais do corrente ano, resultantes das exportações de pescado, incluindo camarão, lagosta, lagostim, caranguejo, gamba, kapenta e várias outras espécies de mariscos.

Acresce ainda, mais de 150 milhões de meticais (cerca de 5,4 milhões de dólares ao câmbio actual) para a atribuição de vários tipos de licenças de pesca.

Com relação as receitas da actividade pesqueira, Muthisse disse que “o país arrecadou 59 milhões de dólares de recursos pesqueiros em 2010, 78 milhões de dólares em 2011 e o plano de 2012 prevê uma receita de 68 milhões de dólares”.

Sobre a queda do volume de receitas para o corrente ano, o vice-ministro explicou que a mesma deve-se a flutuação de preços no mercado internacional. Fazendo uma avaliação do primeiro semestre do ano corrente, a fonte disse que o sector de pescas já arrecadou cerca de 21 milhões de dólares. Estes números, advertiu, correspondem a uma avaliação preliminar do desempenho do sector das pescas.

“Portanto, estes são valores preliminares, dos quais 11 milhões de dólares são das exportações de camarão”. Com relação as quantidades, Moçambique exportou cerca de 12 mil toneladas de produtos pesqueiros em 2010, das quais 5.083 toneladas de camarão.

Em 2011, ano em que ocorreu o surto da doença das manchas brancas, o país exportou cerca de 13 mil toneladas de produtos pesqueiros, incluindo 4.386 toneladas de camarão. Para o presente ano, o plano prevê a exportação de 17 mil toneladas de produtos pesqueiros.

“Para este ano temos uma meta de 5.150 toneladas de camarão. Portanto, prevemos uma subida em relação ao ano passado quando Moçambique exportou 4.386 toneladas”, disse o governante.

“Ainda não encerramos o primeiro semestre mas já exportamos 3.569 toneladas de produtos pesqueiros das quais 1.076 toneladas são de camarão”, explicou.

Esta aparente baixa de produção foi influenciada pelo período de defeso durante os primeiros meses do corrente ano, bem como a introdução de novas medidas de gestão que visam reduzir a quantidade de pescado, permitir a recuperação dos recursos marinhos e garantir a sua sustentabilidade.

Estas medidas podem incluir redução de quotas, redução do número de embarcações licenciadas ou alterações na arte de pesca. “Nos anos de 2011 e 2012 as medidas de gestão adoptadas para permitir a recuperação do recurso camarão foram mais severas”, disse.

Vice-ministro desmitifica doença das manchas brancas

Até ao ano passado, Moçambique, Austrália e Madagáscar eram os únicos países do mundo inteiro que ainda não haviam reportado a eclosão de nenhum caso da doença das manchas brancas (White Spot Syndrome, na língua inglesa).

A AIM aproveitou a ocasião para questionar ao vice-ministro sobre o surto da doença no rio dos Bons Sinais, na província central da Zambézia, numa das farmas de aquacultura da Aquapesca, uma empresa moçambicana com capitais franceses.

“Podemos dizer que em Moçambique a saúde do camarão é boa”, disse Muthisse num tom convicto. Para justificar os seus argumentos, o vice-ministro explicou que a eclosão deste surto não afectou de forma alguma a captura do camarão selvagem, tendo apenas afectado marginalmente a produção do camarão no sistema de aquacultura.

“Praticamente, todo mundo está afectado com essa doença e Moçambique foi o antepenúltimo país do mundo a ser afectado. O penúltimo foi o Madagáscar. Neste momento, apenas a Austrália ainda não reportou a eclosão de qualquer surto desta doença”, disse.

Prosseguindo, o vice-ministro explica que mesmo assim nenhum país do mundo deixou de exportar ou produzir camarão, quer de aquacultura ou selvagem.

“Portanto, todo o mundo continua a produzir e exportar camarão”, vincou. Para melhor elucidar, Muthisse cita como exemplo a doença “Newscastle” na avicultura que também afecta Moçambique. “Nós não vamos deixar de criar frangos por cauda da doença ‘Newcastle’.

Mas quando ela é detectada numa capoeira é preciso abater todos os frangos que estão na capoeira, depois desinfectá-la, seguido de um período de quarentena, para mais tarde começar a produção depois de erradicada a doença”.

Segundo o vice-ministro, o mais importante é que o país tenha medidas de vigilância e monitoria permanentes para detectar o surto o mais cedo possível. Geralmente, a doença ocorre com maior frequência nos tanques de aquacultura por causa do stress e de outros factores associados com a cultura do camarão.

No caso concreto de Moçambique, o governo está devidamente preparado para interromper e incinerar toda a produção que estiver nos tanques, fazer a quarentena e reiniciar a produção.

No caso da Aquapesca, a empresa obedeceu todo o protocolo internacional aplicável para casos desta natureza, tais como a desinfecção dos tanques, incineração de toda a produção, observância de um período de quarentena, entre outras medidas.

Segundo o vice ministro, a Aquapesca reiniciou a produção, tendo produzido no primeiro semestre cerca de uma tonelada de camarão.

“A Aquapesca decidiu interromper a produção mais cedo este ano por causa do tempo frio que favorece a ocorrência do surto da doença das manchas brancas”, explicou.

Para Muthisse, o essencial é que o camarão continua a ser apreciado como sempre foi no passado, “razão pela qual mesmo se tivéssemos 10 mil toneladas de camarão à nossa disposição não teríamos nenhuma dificuldade para exportar”.

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Related Posts

error: Content is protected !!