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Crianças dedicam-se ao trabalho infantil na KaTembe

Na ponte-cais da KaTembe, o primeiro sinal característico que assalta a vista de qualquer pessoa que chega àquele ponto da cidade de Maputo, através de ferry-boat ou de pequenas embarcações, é o comércio informal. Dezenas de crianças com idades compreendidas entre 10 e 16 anos disputam clientes com jovens, adultos e idosos. O trabalho infantil é um acto flagrante e tal como acontece noutros pontos da urbe nenhuma autoridade está lá para refreá-lo.

Sexta-feira, manhã de 23 de Agosto, o @Verdade escalou o Distrito Municipal KaTembe. Pastéis de feijão, vulgo badjias, pão, refrigerantes, amendoim torrado, dentre outros produtos, são transportados pelos petizes de ambos os sexos em bacias ou peneiras de um lado para o outro à procura de clientes. Os praticantes, que deviar estar na escola ou a se ocuparem de outras actividades de recreação recomendados para as suas idades, disseram-no que vendem para suprir as necessidades básicas com que os seus familares se debatem, bem como para obterm dinheiro para comprar material escolar e roupa.

Aliás, deparámo-nos com crianças que estão no comércio informal porque não têm outras alternativa senão venderem alguma coisa para garantir um prato de comida para si ou para os seus dependentes (irmãos), também menores de idade, porque os pais morreram por causa do HIV/SIDA. Sérgio Chilaule, de 13 anos de idade, é um exemplo desse grupo de crianças. Revelou à nossa Reportagem que precocemente foi obrigado a trabalhar para no mínimo conseguir um pão para se alimentar.

Sérgio Chilaule abandonou a escola porque supostamente não havia ninguém na vida para tomar conta dele, uma vez que perdeu a avó em 2011. “No mesmo ano abandonei a escola e comecei a frequentar o mercado (da KaTembe), onde carregava algumas mercadorias para obter dinheiro com vista a comprar no mínimo um pão”.

Segundo o menor, cuja história não se difere de tantas outras de meninos daquele ponto distrito, conseguia, na altura, entre 20 e 30 meticais. Volvido algum tempo, ele decidiu, graças às poupanças que fazia, iniciar, em Julho de 2012, um negócio por contra própria, vendendo pão e pastéis de feijão. “Hoje consigo entre 150 e 300 meticais por dia e se tudo correr bem acredito que possa voltar à escola no próximo ano”.

Por sua vez, Amélia Nhacumbe, de 14 anos de idade, disse que em 2011 foi levada de Inhambane por um indivíduo com a promessa de emprego e estudos. Para o seu azar, muito pouco do que foi acordado se cumpriu. Quando ela chegou a Maputo foi obrigada a trabalhar, carregando sacos de arroz e outros produtos à cabeça para a barraca onde a pessoas que lhe prometra empresso cozinha alimentos para venda. “Senti-me escravizado porque não tinha tempo para nada, era insultada e maltratada”.

Para se livra dos maus-tratos, Amélia decidiu fixar residência no mercado, onde mesmo sem se alimentar devidamente ia à escola de manhã e no período nocturno lavava panela em troca de um prato de comida ou algumas moedas. O esconderijo de uma barraca mal construída era o único abrigo da Amélia, mas mesmo assim teve que lutar contra as adversidades da vida para sobreviver. Continua nessa batalha até hoje.

Carlos Macamo tem apenas 13 anos de idade e muito cedo perdeu os pais vítima de uma doença prolongada, situação que agravou a deficiente condição financeira na família, uma vez que os progenitores eram os únicos que lutavam incansavelmente pela sobrevivência do “colectivo”. Como alternativa, o petiz enveredou pelo comércio de refrigerantes em cada viatura que chega no ponte-cais da KaTembe. Mensalmente consegue colectar 1.000 meticais.

Em conversa com outras pessoas, apurámos uma parte significativa das crianças de KaTembe são obrigadas a trabalhar, sobretudo porque algumas são oriundas de outras províncias do país e estão m Maputo à busca de oportunidades de emprego e de outras formas de ganhar a vida.

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