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Confrontos entre Irmandade e polícia deixam 13 mortos no Egito

Pelo menos 13 pessoas foram mortas a tiros quando os simpatizantes da Irmandade Muçulmana entraram em confronto com a polícia no Cairo e noutras cidades do Egito, esta sexta-feira (3), em desafio a uma repressão cada vez maior do governo sobre o movimento islâmico.

Os islâmicos contrários à derrubada do presidente Mohamed Mursi pelo Exército em Julho continuam a realizar manifestações diárias, mesmo depois de o governo apoiado pelo Exército classificar a Irmandade como um grupo terrorista, na semana passada, aumentando as penalidades para os dissidentes.

O governo vale-se da nova classificação para prender centenas de apoiantes da Irmandade. Outros milhares, incluindo os principais líderes do grupo, estão presos há meses.

Eles foram detidos na sequência da tomada do poder pelo Exército. A repressão reduziu, mas não eliminou completamente, a habilidade da Irmandade para organizar protestos.

Ultimamente, a entidade tem contado com estudantes para manter acesa a mobilização contra o que diz ser um “regime golpista” a governar o Egito. No distrito de Nasr City, no Cairo, a tropa de choque da polícia lançou gás lacrimogéneo contra manifestantes, que respondiam a lançar pedras e fogos de artifício.

Confrontos similares surgiram por todo o país, como tem sido comum depois das orações da sexta-feira, dia de folga no Egito. O Ministério da Saúde informou que três manifestantes foram mortos em diferentes bairros do Cairo.

Uma fonte de segurança disse que as mortes foram causadas por ferimentos a bala, embora não tenha ficado claro se os tiros foram disparados pela polícia ou civis armados.

Num incidente separado, que ilustra o aprofundamento da cisão provocada pela deposição de Mursi, um homem a gritar insultos contra manifestantes a favor da Irmandade que faziam uma passeata perto da sua casa foi morto a tiros, disse uma fonte de segurança.

Um homem e uma mulher foram mortos a tiros durante os confrontos entre manifestantes que apoiam a Irmandade e policiais na cidade costeira de Alexandria, segundo fontes médicas e de segurança. Houve relatos conflitantes sobre se a mulher era uma manifestante ou apenas observadora.

Outro manifestante foi morto a tiros pela polícia na cidade de Ismailia, no Canal de Suez, durante uma passeata que partiu de uma mesquita depois das orações do meio-dia, segundo fontes médicas.

Na província rural de Fayoum, a sudoeste do Cairo, um manifestante morreu atingido por ferimentos de bala na cabeça e no peito, disse Medhat Shukri, funcionário local do Ministério de Saúde, à Reuters. Outro estudante universitário for morto a tiros durante confrontos na cidade de Minya, no sul.

O Ministério da Saúde disse que 42 pessoas ficaram feridas em todo o país. A polícia prendeu 122 membros da Irmandade pela posse de armas, disse o Ministério do Interior em comunicado. A Irmandade afirma que os seus apoiantes estavam desarmados.

Votação da constituição

O poder da Irmandade – o mais antigo e mais organizado movimento islâmico do país – deteriorou-se dramaticamente por causa das prisões em massa de seus membros, das ordens para congelar bens de líderes, bem como a designação do grupo como uma organização terrorista.

Uma nova Constituição a ser votada em referendo neste mês também proíbe os partidos políticos de carácter religioso e dá mais poder aos militares. O referendo a ser realizado a 14 e a 15 de Janeiro é considerado um marco no roteiro que as autoridades apoiadas pelo Exército traçaram para um retorno ao regime democrático em meados do ano.

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