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Luto de uma semana em memória das vítimas mortais dos confrontos na mina de Lonmin, na África do Sul

Fotografias mostram polícia sul-africana a adulterar evidências do massacre de Marikana

No que é descrito como a pior acção de dispersão de manifestantes na era pós-apartheid, a polícia sul-africana abateu nesta quinta-feira (16) 44 mineiros amotinados desde o início da semana na mina de Lonmin em North West, Rustenberg.

O nosso correspondente informa que há cidadãos moçambicanos a trabalharem nesta mina mas até ao momento não há indicação de estarem entre as vítimas mortais.

A polícia foi accionada na última segunda-feira(13) ao local depois de se terem registado a morte de 10 mineiros devido a falta de entendimento entre dois movimentos sindicais na última semana, no campo das negociações dos salários com o patronato.

Vendo a polícia no local, os mineiros optaram pelos motins e desafiaram a ordem policial para que se dispersassem do local. Na quinta-feira(16), data limite para que os mineiros abandonassem o local, a polícia tentou pela via negocial, mas encontrou uma forte resistência por parte dos mineiros que empunhando as suas armas começaram a avançar em direcção ao cordão policial. A polícia decidiu por atirar para matar, visto que utilizaram balas reais e não de borracha ou gás lacrimogênio, recursos habitualmente usados para a dispersão de manifestações.

Não há moçambicanos entre as vítimas

@Verdade contactou, Adelino Espanha Muchenga, chefe da Delegação do Ministério do Trabalho na Àfrica do Sul, que confirmou que não há moçambicanos nas dez vítimas mortais da última semana. Quanto aos abatidos pela polícia nesta quinta-feira, Muchenga assegurou que de momento não tinham a confirmação da existência de moçambicanos, visto que até ao momento as informações continuam obscuras.

“Como a coisa é recente ainda não temos confirmação da existência dos moçambicanos nos mortos, o que podemos garantir é que dos 10 que perderam a vida na última semana não constam os nossos compatriotas. Advertimos aos mineiros moçambicanos a não participarem desta greve visto que era ilegal,” disse Muchenga.

Os grevistas continuam amotinados nos arredores da mina de platina de Lonmin e desafiam a polícia nem que isto resulte em mais baixas. A grande ameaça lançada por estes para além da paralisação das actividades é a da destruição da mina.

Presidente Zuma diz estar “chocado”

Entretanto o Presidente sul africano, Jacob Zuma, que participava na cimeira da SADC que decorre até amanhã na capital moçambicana, já regressou ao seu país e tem agendada uma visita ao local dos confrontos. Zuma, que disputa em dezembro um novo mandato como líder do partido Congresso Nacional Africano (ANC), disse estar “chocado e perplexo” com a violência, mas não comentou o comportamento da polícia.

“Acreditamos que há suficiente espaço na nossa ordem democrática para que qualquer disputa seja resolvida por meio do diálogo, sem violações da ordem ou violência”, disse ele em comunicado.

Apesar das promessas de melhorar a vida dos 50 milhões de sul-africanos, o ANC tem dificuldades para oferecer serviços básicos aos milhões de negros pobres dos subúrbios. Esforços para resolver as desigualdades económicas deixadas pelo apartheid têm resultados ambíguos.

O setor mineiro é alvo de críticas especialmente duras por parte de facções do ANC que vêem essa actividade como um bastião do “monopólio do capital branco”.

Entretanto o Presidente Sul africano declarou uma semana de luto nacional, a partir desta segunda-feira (20), em memória das 44 vitimas mortais do confronto.


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