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Comércio entre países africanos corresponde a apenas 5%

O Ministro britânico para Africa, Mark Malloch- Brown, exorta os países africanos a incrementarem o volume de comércio intraregional, como forma de se protegerem da actual crise financeira e acelerar o crescimento das suas economias. “Apenas cinco por cento do comércio é entre países africanos, comparando com mais de 50 por cento entre a Africa e a União Europeia ou mesmo entre a Africa e o Leste Asiático”, disse Malloch-Brown, que falava durante uma palestra em Maputo, proferida na ultima Terça feira, subordinada ao tema “Africa: Resistindo a Intempéries e Mapeando a Recuperação”.

Segundo Malloch-Brown, a economia política de Africa está numa situação mais vulnerável devido a crise financeira global. Por isso, mais do que nunca, a Africa precisa de enfrentar o desafio da integração para criar oportunidades a partir da crise financeira global.

Alias, esta crise talvez ofereça um impulso para acção que em momentos de rotina pode parecer menos necessário, disse Malloch-Brown. Para o efeito, defende o ministro britânico, “cabe a Africa, incluindo seus líderes, decisores políticos, sociedade civil, homens e mulheres de negócios, fazer um investimento colectivo na construção de mercados e instituições em todo o continente”.

Contudo, disse Malloch-Brown, a sua posição não é uma exortação velada para uma única Africa, ao estilo da União Europeia (EU), mas sim para usar a integração económica e instituições regionais como veículos para o sucesso nacional. Apenas com investimento na actividade empresarial associado a ajuda de desenvolvimento, a redução da pobreza em Africa será significativa e sustentável a longo prazo.

Para o efeito, explicou Malloch- Brown, o desenvolvimento de infraestruturas e instituições regionais é muito importante, “pois é através das regiões que os países africanos vão construir as economias de escala necessárias para criar oportunidades para estimular os sectores privados internos e para continuarem a atrair o investimento externo que traz emprego, negócios e crescimento”.

Entre os factores que continuam a retrair o investimento privado em Africa, destacam-se a falta de transparência, a corrupção generalizada, a insegurança dos direitos de propriedade e fracas infraestruturas de energia e transporte. Este facto e’ exacerbado pela dimensão reduzida dos mercados de muitos países africanos.

Por isso, Malloch-Brown insiste que os mercados precisam de ser regionais e não apenas nacionais. Malloch-Brown aproveitou, a ocasião, para manifestar o seu optimismo com o lançamento da Área de Comércio Livre na região da Comunidade de Desenvolvimento da Africa Austral (SADC), que introduziu uma meta de 85 por cento de todas as linhas de produtos a serem comercializados a tarifa zero. “Isto é um bom exemplo para o incremento do comércio regional, que também prevê lançar uma União Aduaneira, Mercado Comum e União Monetária”, disse Malloch-Brown.

Mas os entraves ao comércio não se limitam apenas as infra-estruturas ou mercados regionais, pois a democracia e a prestação de contas também são de vital importância. “Isto e’ importante, não somente para o bem da democracia ou da prestação de contas mas porque neste momento de recessão mundial é a democracia e a prestação de contas que vão, em ultima instância, conduzir para estabilidade e crescimento”, disse Malloch-Brown.

Na ocasião, Malloch-Brown, citou, como exemplo, a Republica Democrática do Congo (RDC), onde a democracia está a começar “a virar as mesas”, pois desde a realização das suas primeiras eleições democráticas, em 2006, o PIB e IDE triplicaram.

Prosseguindo, Malloch-Brown disse que se observa uma tendência realmente positiva em direcção a realização de eleições em países africanos, não obstante os elevados custos financeiros deste exercício. Infelizmente, esta tendência de eleições ainda não é acompanhada de um compromisso com a democracia e com a boa governação logo que as eleições terminam, pois segundo o Índice da “Freedom House”, houve um recuo democrático em Africa, no último ano, com 25 por cento dos países africanos a registarem retrocessos.

Isso não surge devido a falta de entusiasmo popular pela democracia, pois uma recente pesquisa de opinião feita pela “Gallup”, uma companhia especializada na matéria, demonstra que nove em cada 10 africanos afirmam que querem viver em democracia.

Para Malloch-Brown, os africanos devem ter em mente que o conflito num país se repercute noutros. O Uganda é um dos exemplos desta situação. Este país acabou sendo vítima da violência pós eleições no Quénia. Concluindo, Malloch-Brown disse que nesta fase em que a recessão mundial deixou a Africa particularmente vulnerável, tornou-se mais importante ter em mente que são os mercados, as infra estruturas e instituições, liderados regionalmente, que irão fazer real diferença no tipo de crescimento e desenvolvimento sustentável.

Ou seja, disse Malloch-Brown, “é mais importante do que nunca que nós adoptemos uma politica de “Africa em primeiro lugar”. Mas é com sentido de solidariedade interna, ainda mais forte, que os países africanos e seus povos irão tirar benefícios de regiões mais fortes num mundo globalizado, rematou.

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