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Cidade chinesa anula o projecto de fábrica de cobre depois dos protestos

Uma cidade chinesa descartou os planos para uma fábrica de ligas de cobre, esta Terça-feira (3), depois de três dias de protestos dos moradores, que temiam que ela iria envenená-los, na mais recente agitação estimulada pelas preocupações ambientais na segunda maior economia mundial.

O governo de Shifang, na província sudoeste de Sichuan, que inicialmente disse que só iria suspender o projecto da Sichuan Hongda, cedeu à pressão e anunciou que o projecto seria interrompido.

“A fábrica de ligas de cobre-molibdénio deixará de ser construída na cidade de Shifang”, afirmou o governo num comunicado oficial no seu site de microblogs Sina Weibo.

“No momento, o incidente em massa… basicamente foi colocado sob controle, e a maioria das pessoas dispersou-se”, acrescentou, usando um termo comum do governo para protestos.

Os protestos tornaram-se violentos, Segunda-feira (2), quando dezenas de milhares de moradores invadiram a sede do governo da cidade, quebraram carros de polícia e entraram em confronto com milhares de policiais de choque, de acordo com a imprensa de Hong Kong.

“Nós temos tantas pessoas em Shifang. Não temos medo deles (as autoridades)”, disse uma vendedora de 18 anos de idade, que não quis ser identificada, à Reuters por telefone de Shifang, antes do anúncio do governo.

“As pessoas de Shifang definitivamente não vão se render.” Ela acusou a polícia de espancar os manifestantes na noite da Segunda-feira.

A polícia não estava imediatamente disponível para comentar o assunto. Os activistas ambientais chineses têm contestado com sucesso uma série de projectos industriais nos últimos anos.

Os activistas têm apelado repetidamente para uma maior consulta pública no rigidamente controlado Estado de partido único, onde os líderes estão obcecados com a manutenção da estabilidade enquanto impulsionam o crescimento económico.

Em Agosto de 2011, milhares de manifestantes forçaram o fecho duma fábrica de paraxileno depois de marcharem na praça da cidade de Dalian, no nordeste da China.

As autoridades de Xiamen, na província sudeste de Fujian, foram forçadas a desfazer um projecto semelhante em 2008 depois de milhares de pessoas na cidade terem ido às ruas no ano anterior.

“Incitação”

Fotos enviadas à Reuters, esta Terça-feira, mostraram os jovens a carregarem faixas vermelhas que diziam “livre-se da fábrica de molibdénio Hongda, devolva-me a linda Shifang”.

A segunda foto mostrava a polícia de choque em torno dum pequeno grupo de manifestantes fora dum posto dos correios. Pelo menos 13 pessoas ficaram feridas, Segunda-feira (2), quando a polícia usou gás lacrimogéneo para dispersar a multidão, disse o governo da cidade.

O governo afirmou que não houve mortes, mas o jornal Ming Pao de Hong Kong e um morador relataram que um estudante do ensino médio tinha morrido.

O governo disse que iria ser leniente para com as pessoas que se rendessem dentro de três dias por seus papéis na organização do protesto, mas os outros seriam “severamente punidos”.

A Sichuan Hongda, uma das maiores produtoras de zinco e chumbo da China, divulgou um comunicado, Terça-feira (3), afirmando que era um projecto aprovado pelo governo.

O governo acusou o banido movimento espiritual Falun Gong e o líder espiritual tibetano exilado, o Dalai Lama, de fomentarem os protestos, que começaram a 1 de Julho, o aniversário do Partido Comunista Chinês.

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