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Cidadão explora e desaloja idoso em Nampula

O ancião Joaquim Argola, de 73 anos de idade, natural de Namacurra, província da Zambézia, queixa-se de ser vítima de exploração laboral protagonizada por um cidadão de nome Samuel Mambele. O referido “explorador” teria convidado o idoso para trabalhar na construção da sua residência em 2004, com promessas de que comprar-lhe-ia uma casa, no final das obras.

Joaquim Argola vivia com sua família, na zona residencial dos Paióis, arredores da cidade de Nampula até princípios de Abril de 2004. O idoso fazia biscates para garantir o sustento do seu agregado.Argola contou ao @Verdade que respirou de alívio no dia 04 de Abril de 2004, quando recebeu o convite do Samuel Mambele, funcionário das Telecomunicações de Moçambique (TDM) e residente no bairro de Carrupeia. O septuagenário iria trabalhar para o seu conterrâneo, na construção de uma residência no bairro da Muhala-Expansão, com todas as condições garantidas, desde alojamento, alimentação e um salário mensal cujo valor escusou a revelar.

De acordo com o nosso entrevistado, os primeiros meses do seu novo “emprego” foram um mar de rosas, porém, tudo que o seu patrão teria prometido, cumpriu na íntegra e o tratamento era, realmente, eficaz. Argola e a sua família sentiam-se acomodados, mas a benignidade não foi sol de pouca dura. No decurso das obras daquela casa, Mambele garantiu ao seu prestador de serviços, a compra de uma casa como forma de lhe agradecer pelo apoio, facto que motivou o idoso a abandonar a sua habitação na zona dos Paióis.

Em consequência do abandono da residência, a mesma desabou em 2008 e o terreno foi invadido por pessoas alheias. Volvidos três anos e meio, embora com os avanços significativos da obra sob fiscalização de Argola, a forma de tratamento mudou drasticamente, pois Samuel Mambele começou a impor que o seu suposto trabalhador mandasse embora a sua esposa e os seus filhos alegadamente por não reunir condições para alimentar aquela família.

Esta atitude foi, segundo o nosso entrevistado, uma forma de expulsá-lo sem pagar os seus honorários e, muito menos, cumprir a promessa de compra de uma casa para o idoso. Mas a intenção de Mambele foi frustrada, porque Argola optou por permanecer naquela casa e procurar um abrigo para a sua família.

Devido à resistência do idoso, Mambele tentou sem sucesso por várias vezes mandar Argola para sua terra natal. Inconformado com a alegada injustiça, o visado não aceitou alegadamente porque não teria onde viver, uma vez que está fora da família há mais de 47 anos. Além disso, aquele ancião revelou que enfrenta problemas sérios de saúde, facto que não lhe permitirá viver longe de uma unidade sanitária qualificada como o Hospital Central de Nampula.

Por seu turno, Samuel Mambele pronunciou-se sobre as acusações que pesam sobre si, tendo considerado falsas as informações avançadas pelo seu trabalhador. Porém, o visado disse ter procurado um espaço para alojar Argola, mas cada lugar que encontrasse no entender do seu “tio conterrâneo”, era impróprio.

Mambele refuta as informações segundo as quais teria nalgum dia prestado maus-tratos ao seu trabalhador, porque ele o considerou como seu parente legítimo, pois conheceu a partir de um tio que em vida era seu grande amigo. O acusado foi mais longe ao afirmar que a casa daquele idoso não desabou, mas foi vendida pelos filhos da sua mulher. “Procurei um espaço para ele em quase todas as zonas desta cidade, mas nunca aceitou”, disse Mambele.

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