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Cheiro de lixo e greves atormentam a França na véspera da abertura da Euro 2016

No meio do cheiro de podre, ao odor do lixo não recolhido em partes da cidade de Paris e aos preparativos para uma greve de pilotos, o presidente da França, François Hollande, disse que faria o que fosse preciso para garantir que protestos não atrapalhem o Campeonato Europeu (EURO) de futebol que começa nesta sexta-feira.

“A França foi escolhida para sediar esse grande evento e vai corresponder à grandeza da tarefa”, afirmou Hollande, acrescentando que um desenrolar tranquilo do terceiro maior evento desportivo do mundo iria também ser uma vitrina para o país que é candidato a receber a Olimpíada de 2024. “Se medidas tiverem que ser tomadas amanhã, elas serão tomadas.”

O seu governo pronunciou-se 24 horas antes da primeira partida do torneio com duração de um mês que milhões de adeptos e turistas esperam acompanhar apesar das disputas trabalhistas e piquetes que afectam o transporte público e a colecta de lixo e complicam o trânsito em avenidas estratégicas.

“Algumas pessoas simplesmente não se importam se o país delas está prestes a sediar um grande evento que cria empregos e traz grandes benefícios económicos”, disse o ministro do Esporte, Thierry Braillard.

O recado não obteve resultados. O sindicato linha-dura CGT declarou que estenderia a paralisação da colecta de lixo na capital até 14 de Junho, e os pilotos da Air France confirmaram uma greve de quatro dias a partir de sábado após negociações salariais ruírem.

Em simultâneo os serviços de comboio melhoraram depois de uma greve de nove dias por causa da carga horária de trabalho ter perdido fôlego, um sindicato disse que poderia interromper os serviços e tornar mais difícil para que torcedores cheguem até o jogo de abertura do Euro entre a França e a Roménia nesta sexta.

A Air France afirmou que teria que cancelar até 30 por cento dos voos durante a paralisação de quatro dias dos pilotos, mas que esperava minimizar os problemas para as viagens até cidades-sedes do torneio.

“Claro que vamos cuidar da Euro”, disse o chefe da companhia aérea, Frederic Gagey, à imprensa, acrescentando que a disputa custaria à empresa 5 milhões de euros por dia.

O ministro das Finanças, Michel Sapin declarou que os confrontos ameaçavam minar uma retomada económica nascente, após números oficiais indicarem que a criação de empregos estava aumentando, e a taxa de desemprego de 10 por cento começado a cair, um ano antes da eleição.

O país vive semanas de protestos por conta dos planos para mudar as leis trabalhistas, agravados por disputas sectoriais sobre temas como reorganização da carga horária de trabalho e descanso na estatal ferroviária.

O presidente Hollande afirma que a reforma é chave para lidar com o desemprego que ele prometeu reduzir quando eleito em 2012.

Sapin disse que a criação de empregos nos primeiros três meses do ano foi melhor do que em qualquer trimestre desde 2008. “Este não o momento de se colocar tudo a perder, com o crescimento voltando”, declarou Sapin.

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