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Chefão da “Cosa Nostra” desmente acusações de mafioso contra Berlusconi

As acusações do mafioso arrependido Gaspare Spatuzza de que Silvio Berlusconi e seu braço direito Marcello Dell’Utri eram referências políticas da máfia, na década de 90, foram desmentidas nesta sexta-feira por um dos “capos” da Cosa Nostra.

Filippo Graviano, que teve seu interrogatório transmitido por videoconferência, a partir de uma prisão de alta segurança, afirmou à corte que não conhecia o Senador Dell’Utri. Suas declarações foram feitas durante audiência celebrada no tribunal de Palermo (Sicília) destinada a confirmar ou a refutar a condenação, em 2004, a 9 anos de prisão do senador Dell’Utri por cumplicidade com a máfia.

“Não os conheço, nem direta nem indiretamente”, declarou Graviano, ao ser interrogado sobre as presumíveis revelações do arrependido Gaspare Spatuzza que envolviam numa série de atentados da Cosa Nostra o atual primeiro-ministro italiano, então magnata das comunicaciones, e a seu colaborador Dell’Utri, senador.

“Nunca pedi a alguém que me ajudasse a resolver problemas”, lançou Graviano, ao falar sobre os atentados organizados para favorecer a chegada de forças políticas novas, depois da queda da Democracia Cristã do poder, na Itália, e que teriam beneficiado a máfia. O mafioso arrependido Gaspare Spatuzza, no entanto, condenado por mais de 40 homicídios, voltou a acusar no dia 4 de dezembro, em audiência pública num tribunal de Turim (norte), o chefe de Governo italiano Silvio Berlusconi de cumplicidade com a Cosa Nostra.

“Conseguimos tudo graças à seriedade dessas pessoas”, afirmou Spatuzza sobre Berlusconi e seu amigo e colaborador siciliano Marcello Dell’Utri, ao se referir aos elogios feitos por Giuseppe Graviano, chefão do temido clã da máfia siciliana. “Eles deixaram a cidade em nossas mãos”, enfatizou. Segundo o arrependido, um assassino condenado, Graviano se vangloriava do apoio obtido por “essas pessoas sérias”.

Spatuzza, que estuda teologia na prisão, começou a colaborar com a justiça no final de 2008, o que obrigou os juízes a abrir vários processos arquivados. Para o arrependido, Berlusconi e o senador Dell’Utri eram os interlocutores privilegiados no mundo da política do mafioso Graviano, que ordenou as matanças em 1992 dos juízes antimáfia e dos atentados em 1993 que semearam pânico em Roma, Florença e Milão.

Marcello Dell’Utri, ex-senador, começou sua vida profissional como bancário na Sicília antes de entrar no Fininvest, holding de Silvio Berlusconi. Dell’Utri é um dos fundadores do Força Itália, movimento criado em 1994 para lançar Berlusconi na política. Acusado de ter sido o “intermediário e o homem providencial” para preparar a chegada à cena política italiana das forças ligadas à Cosa Nostra, Dell’Utri foi condenado a nove anos de prisão por associação mafiosa, mas apelou da sentença.

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