Para continuarmos  a fazer jornalismo independente dos políticos e da vontade dos anunciantes o @Verdade passou a ter um preço.

CFM-SUL: sabotagem na origem do descarrilamento de comboio de mercadorias

Uma locomotiva pertencente a empresa Caminhos de Ferro de Moçambique-Sul (CFM), transportando minério de ferro proveniente da Suazilândia descarrilou, Sábado último, na zona de Infulene, arredores da cidade de Maputo, em consequência de um acto de sabotagem.

O director ferroviário na empresa CFM-Sul, Augusto Abudo, disse que o acto foi protagonizado por indivíduos ainda desconhecidos, que no início da noite daquele dia sabotaram o aparelho de mudança da via (agulha) tendo, como consequência, feito descarrilar seis dos 26 vagões que a locomotiva transportava.

Abudo diz que a linha sabotada faz sete comboios por dia transportando cerca de sete mil passageiros e 12 de mercadoria transportando 20 mil toneladas operações que ficaram interrompidas causando a empresa prejuízos bastante elevados que ainda não foram quantificados.

A transitabilidade na linha foi reposta, terça-feira, por uma equipa técnica que trabalhou noite e dia para o efeito. O trabalho de reposição da linha, segundo o director ferroviário, alastrou-se até terça-feira devido as condições no lo cal do acidente, pois conta com habitações muito próximas da linha, num raio de cinco a seis metros.

Este facto obrigou a que se realizasse um trabalho cuidado para não danificar as residências dos populares. Os actos de sabotagem, segundo Abudo, tem sido frequentes nas proximidades das estações, por onde passam comboios transportando produtos comestíveis como trigo, arroz, açúcar, e os protagonistas dessas acções têm como único objectivo assaltar e roubar os produtos para o consumo e venda.

“Sempre que há um comboio transportando trigo sofremos assalto e suspeitase que as pessoas estão sempre por ali e têm conhecimento da carga que está a ser transportada porque ela é visível”, explicou.

Segundo Abudo, os assaltantes, sabendo que os agentes de segurança que são colocados nas bermas da linha para garantir segurança não podem disparar, chegam a ataca-los a pedrada suspeitando que se trata de um grupo devidamente organizado para o efeito.

Os assaltantes chegam a atirar pedras quebrando vidros das locomotivas e das carruagens de passageiros mesmo a luz do dia, disse Abudo, destacando que mesmo durante os trabalhos de reposição da linha ora sabotada foi roubada uma peça “engate” e duas carriladeiras, uma delas já foi recuperada na N4 junto a portagem de Maputo.

O motivo que pode estar também na razão deste tipo de acto de sabotagem assim como os cortes para a retirada de parte da linha, que tem também acontecido com alguma frequência, pode ter a ver com a liberalização da venda de sucata pois, os protagonistas procuram estas componentes das locomotivas para a venda aos coleccionadores de sucata.

Abudo fez questão de explicar que as zonas de trânsito localizadas entre o Porto da Matola-Estação da Machava – Maputo e Mavalane, são de grande risco de assaltos a todos os níveis, problema que só poderá ser resolvido com o afastamento das pessoas residentes nas bermas de linha férrea.

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on pinterest
Pinterest

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Related Posts

error: Content is protected !!