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Cereal foi alimento em Niassa há mais de cem mil anos

Um estudo recente realizado na província do Niassa, Norte de Moçambique, indica que cereais silvestres podem ter sido parte da dieta humana há mais de cem mil anos, novidade que contradiz ao conhecimento até então tido sobre a evolução do Homem.

A História reza que os primeiros humanos viviam com base numa dieta constituída por carne, frutas, legumes, amêndoas e tubérculos e que a paixão do Homem pelos cereais iniciou mais tarde, há cerca de 20 mil anos. “Mas um estudo recente indica que o consumo de cereais é muito mais antigo que isso”, refere o pesquisador Júlio Mercader, um arqueólogo da Universidade de Calgary do Canada, citado pela revista “Science”.

Há dois anos, Mercader e uma equipa de pesquisadores da Universidade Eduardo Mondlane, a maior e mais antiga instituição do ensino superior em Moçambique, realizaram escavações numa caverna localizada nas proximidades do Lago Niassa.

Eles dizem ter descoberto centenas de antigos artigos de artesanato neste local. Entre esses artigos encontravam-se variedades de ferramentas de pedra numa camada de sedimentos depositados no fundo da caverna de 42 a 105 mil anos.

É difícil determinar directamente a idade dessas ferramentas, mas o arqueólogo calcula que aquelas que se encontravam enterradas no fundo da caverna tenham um mínimo de cem mil anos de idade. Já que outros pesquisadores tinham identificado os tubérculos como uma importante fonte de alimentos durante a Idade da Pedra, Mercader recuperou os resíduos dos sedimentos de 70 ferramentas de pedra, incluindo raspadores e moedores. Verificou-se então que cerca de 80 por cento das ferramentas tinha resíduo amiláceo amplo.

Os amidos eram resultantes da palma Africana, banana, ervilhas, laranjas silvestres, batata Africana. Contudo, a maioria destes- 89 por cento- resulta de sorgo, uma variedade de cereais que faz parte da dieta de muitas comunidades africanas. Segundo Mercader, estes resultados sugerem que as pessoas daquele local traziam rotineiramente plantas, incluindo o sorgo, para a caverna. Ele não tem uma evidência definitiva se as pessoas comiam essas plantas, mas há fortes probabilidades disso ser verdade.

“Para quê eles estariam a trazer sempre sorgo para a caverna sem que estivessem a fazer alguma coisa com isso?”, questiona ele, acrescentando depois que “a explicação mais simples para essa pergunta é que o sorgo poderá ter sido um alimento”. Este estudo, ainda muito debatido, veio trazer uma outra novidade na História da Evolução do Homem.

No passado, muitos arqueólogos acreditavam que, por o processo de preparação dos cereais precisar de muito calor intenso e ferramentas especializadas, provavelmente o seu consumo em quantidades enormes só pode ter começado com os progressos da agricultura há cerca 10 mil anos. Em 2004, um grupo de pesquisadores descobriram resíduos de cevada e trigo numa pedra de 23 mil anos de idade em Israel.

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