Sob chuva, o último dia de desfiles deu destaque para o sentimento de superação após o incêndio que atingiu parte da Cidade do Samba e destruiu fantasias e alegorias de duas escolas que desfilaram na noite desta segunda-feira: União da Ilha e Grande Rio.
Na passarela, por onde passaram mais quatro agremiações, chamaram atenção a Salgueiro, pelo desfile luxuoso, apesar do atraso em deixar a Marquês de Sapucaí, e Beija-Flor, que homenageou ninguém menos que o rei Roberto Carlos.
A primeira a entrar na passarela do samba a União da Ilha surpreendeu quem esperava um desfile com integrantes abatidos pela tragédia ocorrida há cerca de um mês.
Com enredo sobre Charles Darwin e o seu principal trabalho – a Teoria da Evolução -, a escola aproveitou o aniversário de 58 anos para celebrar a própria trajetória.
Muitos adereços foram substituídos por trajes mais simples, mas nem por isso menos criativos.
Já a Salgueiro entrou na máxima força. Com um show luxuoso e criativo, a agremiação viu a sua passagem transformar-se num drama: problemas em carros alegóricos fizeram a vermelho e branco segurar o passo para não criar buracos e atrasar a saída em dez minutos, o que gera perda na pontuação por penalidade.
O drama tirou todo o destaque para o que a escola tinha de melhor: uma bela apresentação sobre o cinema, como ponto alto as referências ao nacional Madame Satã.
Mocidade Independente de Padre Miguel foi para o campo buscar inspiração para falar sobre agricultura. Num desfile correto, a escola teve algumas dificuldades para evoluir por causa do tamanho dos carros alegóricos, além de um princípio de incêndio numa das alegorias, o que causou um buraco bem em frente a uma das torres de jurados.
Elementos da natureza e crenças davam destaque numa epítome da vida: faunos na bateria, forças naturais espalhados pela avenida, sementes, animais e verde.
Outra das “vítimas” do fogo, a Grande Rio lavou a alma sob a chuva na Sapucaí.
Com integrantes mais soltos já que nenhuma das afetadas pelo incêndio serão julgadas, o desfile da escola foi dominado pela paixão. Todas as alegorias e fantasias foram recuperadas, mesmo que em versões mais simples, mas tão belas quanto as alas comerciais que eram feitas fora da Cidade do Samba.
E foi a paixão que fez todos os componentes cantarem a o samba-enredo em louvor a Florianópolis, com suas crendices, cultura e tradições. Saíram da passarela com a promessa de voltar arrasando em 2012.
A Porto da Pedra chegou com a vontade de vencer no sambódromo. Já com uma trégua da chuva, a agremiação apresentou um desfile lúdico e criativo ao contar a vida da autora e diretora de teatro Maria Clara Machado. Efeitos especiais também ajudaram a levar o público a uma viagem pela imaginação, com destaque especial para o fantasminha Pluft.
A grande expectativa para a noite, a Beija-Flor levou o cantor Roberto Carlos para o desfile e apoiou-se no seu carisma e popularidade para desfilar na Marquês de Sapucaí. Todas as fases do rei, desde a infância até a devoção religiosa, passando pela relação com a mãe, Lady Laura, foram simbolizadas pela escola – em fantasias luxuosas e grandes alegorias. Para ganhar ainda mais o público – para quem a presença de Roberto no desfile parecia o suficiente – a agremiação de Nilópolis distribuiu rosas artificiais, a semelhança ao que o próprio cantor faz nos seus shows. Mas no fim, pela tradição da Beija-Flor, ficou a sensação de que mais poderia ter sido feito.