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Cancro da mama uma doença pouco conhecida pelas mulheres

A maioria das mulheres doentes de cancro de mama hospitalizadas no Serviço de Oncologia do HCM, dirigiram-se ao Hospital com a doença, numa fase intermédia.

No serviço de oncologia do Hospital Central de Maputo estão internados 40 pacientes que padecem de diferentes tipos de cancro. Desse número cinco são mulheres provenientes de outras províncias do país que se encontram hospitalizadas para receber tratamento do cancro da mama.

Essas mulheres estão dispersas nas enfermarias da unidade sanitária e partilham o mesmo espaço com outros doentes. Quando descobriram a doença foram obrigadas a deixar as suas casas, assim como a família para vir a Maputo para continuar o tratamento uma vez que somente o Hospital Central local possui condições para oferecer aos doentes outro tipo de medicação como quimioterapia.

Teresa Paes Salvador é uma das mulheres internadas no serviço de Oncologia que se recupera de uma cirurgia que resultou na retirada do seio devido ao cancro da mama.

Teresa é actualmente agente da Polícia da República de Moçambique, PRM, na Beira, mas antes foi militar, Filiada às Forças Armadas de Libertação de Moçambique FADM, a partir de 1975, tendo exercido a função durante 17 anos. Teresa conta que tinha conhecimento em relação à existência de uma doença chamada cancro, mas não especifcamente o cancro da mama.

Por isso não foi possível descobrir a doença precocemente. Foi no dia oito de Março deste ano que ela sentiu algo estranho num dos seus seios. Fazia frio e ela estava no seu posto de trabalho.

“Nesse dia minha mama fi cou dura e parecia uma pedra de gelo, até pensei que fosse por causa do frio. De repente comecei a sentir algo a picar, achei anormal e me dirigi ao posto médico do serviço”, refere.

Depois de ter sido observada pelo enfermeiro numa primeira fase não foi diagnosticada a doença. Teresa continuou a sua vida normalmente, “nunca fi quei de cama, mas os sintomas continuavam”, afirmou.

No mês de Maio ela teve uma recaída, após ser observada numa unidade sanitária próxima foi transferida para o Hospital Central da Beira, onde foi diagnosticado o cancro no seu seio esquerdo. Em Agosto, como parte do tratamento foi submetida a uma cirurgia de retirada do seio enfermo. No mês seguinte é transferida para o Hospital Central de Maputo para dar continuidade ao tratamento. O Hospital Central de Maputo, diga-se, é o único que possui condições para quimioterapia a nível do país.

Dependendo da gravidade do caso o tratamento de cancro dura entre seis meses há cinco anos. Apesar de receber visitas de um primo que vive em Maputo, Teresa disse que não é fácil permanecer internada no hospital. “Deixei meus seis filhos na Beira, sinto muita saudade deles mas o que fazer?”, questiona resignada.

Distante de casa os dias passam no Hospital Central de Maputo, e Teresa vai apresentando melhorias devido ao efeito da quimioterapia. Mas também há dias que acorda com sintomas de febre e nesse tipo de situação, os médicos recomendam o paciente a não tomar os medicamentos. Teresa já não tem um dos seios, mas continua a vida com muita coragem. “ Perdi uma parte de mim, mas ganhei saúde, o que é mais importante.

Aceitei perder a mama porque quero saúde. Quanta gente está por aí com todos membros do corpo, mas não tem saúde. Por isso eu não me sinto mal por não ter outro seio.”

Quando sente-se bem esta mulher realiza algumas actividades características de uma dona de casa, como lavar a roupa no pátio do Hospital.

Nos momentos livres como depois do pequeno-almoço e depois do almoço, elas e as companheiras do quarto conversam sobre diferentes assuntos enquanto fazem lenços de croché. Mas não são todas que têm essa disposição devido ao seu estado clínico e permanecem deitadas nas suas camas queixam-se de dores.

O que é o cancro

O cancro é uma doença que pode aparecer em qualquer parte do corpo. É o desenvolvimento anormal de uma célula, que dá outras células fi lhas com as mesmas características.

Essas células tem um crescimento rápido se comparado com as outras e formam uma massa, cujo nome é cancro.

Esta explicação foi dada pela Doutora Judite Dhorsan, chefe do Serviço de Oncologia, do Hospital Central de Maputo. O cancro da mama é como um outro qualquer, mas distingue-se dos outros por causa do local onde ele se desenvolve que é o seio, seja da mulher assim como do homem. Contudo na segunda situação, os casos são raros.

Depois de se instalar numa parte do corpo, o cancro pode evoluir e criar depósitos secundários noutros órgãos do corpo, por isso é importante o diagnóstico precoce da doença de modo a evitar complicações no estádio do doente.

Sintomas do cancro da mama

Segundo o que explica a Doutora Judite Dhorsan existem vários sintomas identifi cam a presença do cancro na mama. Os sintomas mais frequentes são a existência de um nódulo ao palpar a mama ou a axila, uma retracção na pele do seio, bem como a existência de uma ferida na mama.

Nalguns casos pode ocorrer uma secreção sero-sanguinolenta do mamilo (acastanhada) geralmente sem cheiro. A dor na mama também pode ser um dos sintomas da presença do cancro, para além da mesma apresentar um aspecto de casca de laranja.

Tratamento do cancro da mama

Dependendo do estágio em que a doença é diagnosticada o tratamento acontece num período variado entre seis meses a cinco anos. Por isso é importante que a doença seja descoberta precocemente, sendo necessária a realização do auto exame. Este exame consiste em palpar a mama fazendo movimentos circulares com a ponta dos dedos. Caso seja detectado algo estranho a pessoa deve dirigir-se ao hospital. Outra forma de detectar a doença frequentemente é dirigir-se ao ginecologista pelo menos uma vez por anos.

Em casos que o paciente tem a doença num estado muito avançado, o paciente é submetido ao tratamento paliativo, que consiste em combater a dor. Nesse tipo de situações, o doente tem um tempo limitado de vida que é de acordo com a gravidade do caso.

Dia a dia no serviço de oncologia do HCM

A maioria dos doentes de cancro procuram os Serviços de Oncologia do Hospital Central de Maputo, chegam ao local com a doença numa fase intermédia. Os internamentos só acontecem quando o paciente está com a doença numa fase avançada, sendo que em muitos dos casos são pessoas das outras províncias de Moçambique. Contudo existem mais de 200 pacientes que tratam diversos tipos de cancro no local, alguns dos quais estão internados e outros são ambulatórios.

Quando trata-se do cancro da mama, não são todas as mulheres que se sujeitam ao tratamento. A chefe do Serviço de oncologia do HCM, afi rma que algumas desistem do tratamento, que muitas vezes implica a retirada do seio. Contudo Judite Dhorsan, considera essa atitude perigosa porque depois de abandonar o tratamento a paciente volta ao Hospital numa fase em que a doença atingiu um nível de evolução que já não é possível atenuar seus efeitos.

Contudo quando o cancro é tratado precocemente a doença pode atingir um a nível a ponto de ser considerada curada. “Nunca dizemos que o paciente está totalmente curado do cancro, porque o tratamento inclui o controle permanente da doença,”- disse. “Existem mulheres que descobriram o cancro da mama há 20 anos, mas continuam o tratamento até os dias de hoje” – acrescentou Trata-se de mulheres que depois de terem perdido a mama em resultado do tratamento são consideradas curadas, mas que depois de cinco anos, dirigem-se uma vez por ano ao hospital para fazer o controle.

Assim como outros serviços de saúde do país o Serviço de oncologia do HCM, enfrenta difi culdades, no tocante aos recursos humanos. A médica chefe no local disse que para responder a demanda, em condições normais o sector no hospital Central de Maputo devia contar no mínimo com seis médicos oncologistas, mas actualmente conta com a metade deste número.

As dificuldades vão além dos recursos humanos, não existem meios técnicos, principalmente a máquina para a radioterapia. Segundo Judite Dhorsan os doentes que devem passar por este tratamento são enviados para África do Sul. Em média são enviados 20 entre 30 pacientes àquele pais vizinho a fim de receber tratamento, sendo que as despesas são custeadas pelo Estado.

Judite Dhorsan considera que o país gasta mais enviando doentes para África do Sul, do que gastaria se a máquina de radioterapia estivesse no país. Contudo o envio da máquina para a radioterapia é um processo que envolve vários sectores do Governo, assim como a Organização Mundial de Energia Atómica, sendo que a data prevista para a chegada da primeira máquina de radioterapia ao país é o ano de 2013.

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