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EDITORIAL: Cambada *

Os “nossos irmãos” da contracosta, como muitos lhe chamam por aqui, também conhecidos por cambas, voltaram, na quinta-feira (dia 11), a fazer mais uma cambada.

Desta vez, resolveram expulsar dois jornalistas moçambicanos, apesar de estes terem sido convidados pelo CEFOJOR – Centro de Formação de Jornalistas – com sede em Luanda, para uma acção de formação a decorrer na capital angolana e de terem adquirido, tal como manda a lei, o visto de entrada naquele país na embaixada de Angola em Maputo. Tudo estava, por conseguinte, nos conformes, nada fazendo prever o que se iria passar à chegada da comitiva à capital angolana.

“Fomos tratados como cães ou criminosos pelos agentes da Migração de Angola”, disse Manuel Cossa, chefe de redacção do semanário “Magazine Independente”, um dos profissionais expulsos de Angola. Terminou dizendo que “o visto passado pela representação diplomática de Angola em Maputo não tem validade para as autoridades da Migração angolanas.”

Os dois jornalistas não passaram do aeroporto, sendo recambiados num voo para Joanesburgo nesse mesmo dia. A explicação oficial, falaciosa como se sabe, foi que não possuíam visto válido para entrar no território angolano.

Ora isto é o cúmulo da arrogância, da prepotência, da petulância, direi mesmo, da cagança. Hoje, quem chega à pátria de Neto nunca sabe com o que conta, estando quase sempre dependente dos humores do oficial de migração que encontra pela frente. Se ele estiver virado para deixar passar, tudo bem.

Se não estiver, qualquer desculpa serve para recambiar o desgraçado que ousou tentar entrar no seu magnânimo país. Dá a sensação de que as autoridades angolanas só querem visitantes para os humilhar, para os maltratar, para os espezinhar, numa lógica de “tu precisas muito de mim mas eu não preciso de ti para nada.”

A humilhação por que passaram os nossos profissionais de comunicação social não foi a primeira em terras angolanas e não será certamente a última. Lembram-se do que se passou no último CAN? Pois nessa altura, como os angolanos não queriam lá ninguém – umas das suas características é acharem que não precisam de ninguém – não concederam aos nossos adeptos vistos com mais de três dias o que obrigava, imagine-se, a viajar três vezes para Angola para assistir só aos jogos da primeira fase do CAN!

E nós? Como é que recebemos aqui os “nossos irmãos” do outro lado, principalmente desde que há dois voos semanais entre Maputo e Luanda? Com uma passadeira vermelha, seguramente.

E como não recebê-los desta forma se eles deixam cá milhares de dólares, nos hotéis, nos restaurantes, nas lojas, nas casas de alterne, chegando mesmo a comprar casas e grandes lotes de terreno? Há tempos um agente imobiliário confi denciou-me que estão mesmo a comprar tudo o que há de melhor e mais caro em Maputo e arredores.

Desde o Presidente da República, até ao povo, passando pelo embaixador moçambicano em Luanda que nada fez para defender os nossos compatriotas numa situação delicada, a nossa relação com Angola é de subserviência, de capachismo, tipo patrão/mufana, sempre na expectativa de apanhar umas migalhas que o dinheiro da corrupção em larga escala, porque não custou a ganhar, proporciona.

Por mim, dispenso bem este novo tipo de colonialismo potenciado pela força do petróleo angolano. Para mais, como diz a velha máxima, “nunca sirvas a quem serviu”.

Cambada* – Grupo ou bando de indivíduos maus, ordinários ou criminosos, corja, súcia, in “Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa”.

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