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Um empresário de respeito

Um empresário de respeito

Inácio Wandela Matsinhe tem 40 anos de idade e desde os 16 que dedica a sua vida ao trabalho . “Sou um homem extremamente ocupado porque a este nível é preciso fazer gestão directa do negócio.” Os resultados desta dedicação e desta gestão estão à vista: a “Sombras Matsinhe” é líder nacional no sector de coberturas de lona para os fins mais diversos.

 

A história do nome da empresa, “Sombras Matsinhe”, tal como o seu proprietário, nasceu há muito anos em Vilanculos, província de Inhambane. “No interior do quintal da minha casa de Vilanculos havia uma árvore muito frondosa que transmitia uma sombra grande e as pessoas procuravam- na para aí descansarem. Depressa tornou-se local de referência e os vizinhos começaram a chamar àquele lugar de repouso “ndzhutine ka Matsinhe”, que em português significa sombra do Matsinhe. Foi assim que surgiu a ideia do nome”, explica Inácio Wandela Matsinhe.

 

 

   O business parece tem nascido com Matsinhe. Aos 16 anos já vendia bolos e pequenos utensílios domésticos de fabrico artesanal aos camionistas que cruzavam a Estrada Nacional na zona de Vilanculos. Em 1991, entra no ramo de uma foram mais consistente, vendendo produtos de utilidade diversa em baracas e mercearias no distrito de Vilanculos. Em 1997, dada a exiguidade do mercado local, pequena para as suas ambições comerciais, resolve transferir-se de armas e bagagens para a capital.

 

“Foi uma viragem radical.”

Nessa altura o volume de vendas disparou e Matsinhe tratou logo de regularizar a sua situação, inscrevendo como micro empresário. Foi nesse contexto que surgiu a empresa Sombra Matsinhe, vocacionada para a venda e prestação de serviços.
Até ao ano 2000, Inácio conseguiu trabalhar sozinho. Mas, a partir daqui, o volume de vendas tornou humanamente impossível a realização do trabalho por uma só pessoa. O primeiro funcionário foi contratado para o substituir na loja enquanto Matsinhe corria os clientes mostrando os seus produtos. Hoje, a “Sombras Matsinhe” emprega 20 trabalhadores efectivos e um número considerável de eventuais. A empresa presta serviços – desde a montagem de estruturas até à venda de diversos materiais (napas, tendas, tapetes, lonas, capotas, etc.) e equipamentos importados de vários países com destaque para a vizinha África do Sul e alguns países asiáticos. A empresa possui também uma fabriqueta de manufacturação de tendas, corte e costura. A “Sombras Matsinhe” está estruturada em três áreas-chave: técnica, design e vendas. Inácio Matsinhe aponta a corrupção e a burrocracia na Administração Pública como os maiores entraves no desenvolvimento do seu percurso empresarial.
Em busca de novas oportunidades de negócio e de novos clientes a “Sombras Matsinhe” marcou presença, pela primeira vez este ano, na 44ª edição da FACIM. Inácio deu nota positiva a esta estreia. “somos líderes na prestação de serviços neste ramo e com a FACIM ganhamos novos clientes. Aliás muitos já nos contactaram.” Todavia, o empresário notou ainda alguma desconfiança da parte dos potenciais consumidores em relação aos produtos manufacturados no país. “Nota-se que as pessoas ainda têm receio em relação à qualidade dos produtos “Made in Mozambique”, mas isso agora tem de fazer parte do passado. Já há muitos bons produtos nacionais.”

Aproximadamente daqui a um mês, e depois de vencer muita burrocracia para conseguir o terreno, a “Sombras Matsinhe” já deverá estar na nova morada. Ocupando uma área de 5900 metros quadrados, a que se somam mais 800 para estacionamento de viaturas, as novas instalações ficam na Avenida de Moçambique. Este hoje respira de alívio, depois de meses de entraves borucráticos. “A nossa aposta é melhorar cada vez mais a qualidade de atendimento ao cliente”, revelou.Já no final da conversa, o nosso interlocutor deixou um apelo à comunidade empresarial do país: “Acho inconcebível que os empresários peçam apoio ao Governo antes que se façam sentir como tal. Esta nossa camada exige muito sem antes olhar para aquilo que são as suas capacidades. O empreendedor nacional deve mentalizar-se que nos negócios só se ganha com esforço próprio.”

 

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