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Autárquicas 2013: votação começou atrasada, há fraude em Angoche e irregularidade nos boletins de Nampula

Autárquicas 2013:  Menores votaram e urnas foram enchidas...

Eleitores nas 53 autarquias do território moçambicano estão a votar nesta quarta-feira (20) para a escolha dos seus Presidentes e Membros para Assembleias Municipais. Em grande parte dos postos a votação não começou as 7 horas como estava previsto devido a problemas organizacionais e de logística. A manhã deste dia de votação está a ser marcada por vários registos de fraudes, em benefício do partido Frelimo, com maior incidência no município de Angoche. Registamos ainda uma irregularidade grave no boletim de voto dos candidatos a edils de Nampula onde não consta o a candidata do Partido Humanitário de Moçambique (PAHUMO), Filomena Mutoropa.

O início da votação, apesar de tardio, foi marcado por uma significativa afluência de eleitores as assembleias de votos, que entretanto reduziu com o aproximar do meio dia.

Fraudes em Angoche

Enquanto isso, nas cinco assembleias de voto instaladas na Escola Primária Completa de Farlahi, em Angoche, existem eleitores que votam mais de uma vez em momentos diferentes.

Para além de existirem crianças com idade inferior a 18 anos que foram coagidos para votarem nas mesmas assembleias de voto, segundo o nosso jornalista posicionado na Escola Primária Completa de Farlahi, a Polícia destacada para velar pela segurança no local está a mandar os eleitores que se encontravam já nas assembleias de votos, particularmente 03005705 e 03005704, a abandonarem as mesas por supostamente contestarem o facto de haver pessoas que exercem o seu dever cívico mais de uma vez, sem, acima de tudo, observar a fila.

O nosso jornalista reporta ainda que a Polícia reforçou o efectivo com vista a reprimir a agitação instalada no sítio. Aliás, apurámos que estes problemas acontecem igualmente nas assembleias de voto instaladas noutros estabelecimentos de ensino em Angoche, onde temos jornalistas posicionados a acompanhar o processo desde às primeiras horas desta quarta-feira.

Enquanto isso, informações não confirmadas, mas avançadas por algumas pessoas que fazem parte do processo de votação, dão conta de que alguns líderes comunitários das regiões fora da autarquia de Angoche foram exercer o seu dever cívico nas assembleias de voto da Escola Primária Completa de Farlahi e noutras em que não deviam, apesarem de não terem nenhum direito especial para o efeito. Os nomes dos eleitores que supostamente teriam enverado por essa via ilícita constam de um caderno específico designado “Livro 30”, cujo significado não apurámos.

Outro incidente que marca negativamente o processo de votação na Escola Primária Completa de Farlahi, diz respeito ao facto de os delegados de candidatura presentes nas assembleias de votos serem apenas da Frelimo, os quais tentam, a todo custo, impedir a presença dos delegados de outros partidos políticos e obstar o seu trabalho e dos jornalistas.

Quelimane

No município de Quelimane, onde há registo de grande afluência de eleitores às urnas, desde as primeiras horas do dia, há relatos confirmados que a tinta que está a ser usada para assinalar quem já votou não é indelével. Pelo menos cinco eleitores que lavaram as mãos após axercerem o seu dever cívico conseguiram limpar a tinta do dedo sem nenhum esforço, o que não deveria ser possível.

Ainda em Quelimane, as assembleias de votos instaladas na Escola Primária Completa de Coalane abriram tarde, já como uma moldura humana à espera de exercer o seu dever cívico.

Beira

No município da Beira, onde funciona um posto de votação, na piscina do goto, existem mesas sem cadernos eleitorais.

Entretanto, logo nas primeiras horas houve uma afluência massiva dos eleitores, os quais não arredaram pé apesar dos chuviscos que cairam.

“Fazem de tudo para não votarmos, mas hoje não saímos daqui antes de votar” afirmaram vários jovens nas assembleias de voto do município da Beira.

Entretanto um receio que se gerou nos dias que antecederam ao escrutínio, e propagou-se pelas redes sociais e através de mensagens de telemóveis, parece confirmar-se com vários relatos de agentes do STAE nas mesas a afirmarem que “ninguém podia usar caneta particular para votar”. O rumor referia-se a existência de canetas cuja tinta após o eleitor marcar o seu voto poderia ser apagada e não se notar de forma ao boletim ser usado para marcar uma escolha diferente.

Tete

No município de Tete, onde também o processo arrancou às 7 horas de relevo que temos a registar da conta de que o posto de votação instalado na Escola Primária 3 de Janeiro, no bairro Azul, no município de Tete, está repleto de panfletos da Frelimo, o que neste dia da votação não devia estar a acontecer porque, para além de figurar como um acto de campanha eleitoral fora do período estabelecido para o efeito – o que é, por conseguinte, um ilícito eleitoral – pode confundir os eleitores os eleitores.

Matola

Apesar, de as assembleias de voto terem abertos à hora marcada para o início da votação em diferentes lugares, o presidente de assembleia de voto da Escola Secundária de Nkobe está a trabalhar embriagado e o processo decorre lentamente.

Registamos ainda que o Presidente da mesa nº 10006501, na Escola Secundária de Kongolote, no município da Matola, fechou a porta da mesa e não permitiu que os observadores eleitorais fiscalizassem a abertura das urnas.

Gaza

No município do Chókwè, os chefes dos bairros recolheram os cartões dos eleitores e registaram os nomes destes em cadernos particulares com o intuito de cada chefe do bairro levar, obrigatoriamente, todos cidadãos eleitores da sua área de residência para os locais de votação.

Nampula

Dos vários incidentes que temos a registar, destaca-se o facto de a votação ter sido interrompida, por volta das 09h:00, numa assembleia de voto da Escola Primária Completa do Inguri, no município de Angoche, após o delegado do partido ASSEMONA ter flagrado o Presidente da Mesa a entregar mais de quatro boletins de votos, por serem preenchidos, a um cidadão conhecido como sendo membro do partido Frelimo.

Este problema gerou uma onda de contestação no local, onde a Polícia deteve três cidadãos encontrados na posse de dois cartões de eleitores cada em seus nomes e que se preparavam para votar naquela escola.

Boletins de voto “inválidos”

Outro problemas grave registado até ao momento tem a ver com boletins de votos com informação errada e que colocam em causa a eleição no município de Nampula.

Nos boletins de votação à edil do município de Nampula não constava o nome da candidata do Partido Humanitário de Moçambique (PAHUMO), Filomena Mutoropa.

O boletim de voto para eleição dos membros da Assembleia Municipal também tem um erro: o PDD, Partido Para Paz Democracia e Desenvolvimento, está identificado por extenso como Partido Movimento Democrático de Moçambique.

Daniel Ramos, presidente da Comissão Provincial de Eleições em Nampula, disse que o problema foi descoberto às 7 horas, depois da abertura das assembleias de voto. E a resolução deste caso ultrapassa as capacidades dos órgãos eleitorais locais.

A Comissão Nacional de Eleições e o Secretariado Técnico da Administração Eleitoral ainda não se pronunciaram sobre nenhum destes casos graves que estão a manchar a votação nas 53 autarquias de Moçambique.

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