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Aumenta a prostituição infantil em Mocuba

Nos últimos tempos, a prostituição, envolvendo menores de 18 anos de idade, na cidade de Mocuba, na Zambézia, tem vindo a ganhar contornos alarmantes. Na verdade, a cada dia que passa cresce o número de adolescentes que enveredam pelo negócio do sexo naquele município. A maioria das raparigas que se dedicam à actividade frequenta o ensino secundário geral, e justifica a opção afirmando que os encarregados de educação não dispõem de condições financeiras para suprir algumas necessidades pontuais.

Diariamente, dezenas de raparigas escapam da custódia dos encarregados de educação para se envolverem em actos de prostituição. Tal situação arrasta-se há bastante tempo e, cada vez mais, o número de adolescentes tende a aumentar. A maior parte delas frequenta o ensino secundário geral nas diversas instituições de ensino da cidade de Mocuba.

Algumas envolvem-se nesse tipo de actividades como forma de garantir a sua formação. Trata-se de órfãs, que vivem nas residências de familiares em que as condições de vida são deploráveis e a relação com os parentes não é das melhores.

As adolescentes ignoram os riscos de contaminação por doenças sexualmente transmissíveis. As palestras que os profissionais da Saúde de Mocuba desenvolvem nas instituições de ensino secundário não surtem os efeitos desejados. Ao contrário do esperado pelo sector sanitário daquela jurisdição, as cifras de raparigas em idade escolar a envolverem-se no negócio do sexo são assustadoras.

É notória a afluência de menores de 18 anos nos bares e nos estabelecimentos de repouso instalados na urbe. Uma situação constrangedora tem a ver com raparigas que se prostituem entregando-se a camionistas que, com destino a vários pontos do país, pernoitam na cidade de Mocuba.

Dentre os vários locais onde os famosos “reis” da estrada se alojam, destacam-se a Piscina de Mocuba e a terminal interdistrital de transportes rodoviários de Mocuba. O @Verdade deslocou-se àqueles lugares onde algumas pessoas realizam os seus desejos sexuais em troca de dinheiro. Naqueles locais, fazendo-se passar por alguém interessado nos serviços prestados pelas raparigas, descobrimos que a situação é pior do que se pode imaginar.

Durante a nossa investigação, conversámos com uma jovem que frequenta a 11ª classe na Escola Secundária Pré-Universitária de Mocuba, cuja identidade omitimos por razões óbvias. Ficámos a saber que os preços praticados variam de acordo com os desejos sexuais do interessado, partindo de um mínimo de 150 meticais.

A rapariga com quem falámos é órfã de pais e vive com os irmãos. Precocemente, tornou-se chefe de família e garante o sustento do seu agregado familiar recorrendo ao negócio do sexo. A sua rotina diária é caracterizada pela correria desenfreada à procura de meios para colocar comida na mesa. A adolescente, no período de manhã, vai à escola e, durante a noite, faz-se às principais artérias da cidade de Mocuba para se prostituir.

Segundo a nossa interlocutora, os camionistas são os melhores clientes, pois, a cada noite, desembolsam pelo menos 500 meticais. “Já vivi situações difíceis na minha vida após a morte dos meus pais. Sou chefe de família e tenho que garantir comida aos meus irmãos. Não importa o que faço com o meu corpo, quero apenas dar melhores condições aos meus irmãos”, refere.

“Há cada vez mais mulheres a prostituírem-se”

Na cidade de Mocuba, a prostituição não é apenas uma actividade exclusiva das raparigas em idade escolar. É notória a proliferação, em cada vez maior proporção, de mulheres, na sua maioria provenientes dos países vizinhos, como é o caso do Malawi.

O negócio do sexo tem garantido o sustento de muitas famílias. Para o caso das cidadãs maiores de idade, o ponto de trabalho tem sido a terminal de transportes interdistritais situado nas proximidades do Mercado Central da Cidade de Mocuba. O local, circunscrito por barracas, bares e pensões, tornou-se o “mercado” das relações sexuais do município.

A problemática da prostituição tem afectado também as estudantes da Faculdade de Engenharia Agronómica e Florestal (FEAF) da Universidade Zambeze (UniZambeze). Há cada vez mais discentes a enveredarem por essa prática.

Piscina de Mocuba: O centro do negócio de sexo

Segundo apurámos de alguns nativos, nos anos ’90, a piscina de Mocuba era o centro de diversões. Na altura, a maior parte da população passava os seus momentos livres naquele local, mas o que se verifica, actualmente, é constrangedor para os encarregados de educação que lutam pelo bem-estar dos seus filhos, pois o espaço transformou-se num ponto de prostituição.

“A diversão acabou quando a piscina ficou sem condições para a prática de natação. Este local dignificava a cidade e a maior parte da população passava os fins-de-semana aqui”, lamenta um dos cidadãos ouvidos pelo @Verdade.

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