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Assassinato de Ex-Deputado da Frelimo

“A vida honesta tem apenas um certo número de dias, mas o bom nome, permanece para sempre”. Assim, foi para sempre que a Vila da Macia, Distrito de Bilene, Província de Gaza, zona sul de Moçambique deu o último adeus a um dos seus melhores filhos, Arnaldo Obed Muchabje Obe Quibe, assassinado na última terça-feira – dia 29 de Junho – na sua residência por desconhecidos.

Pode-se dizer que a chuva que caiu e a moldura humana presente no último adeus – que segundo cálculos locais rondou a mais de 5 mil pessoas – constituiu o grito silencioso dos macienses para chamar atenção às autoridades policiais para levar avante o processo de investigação para o apuramento das reais causas que estarão por detrás do assassinato do jovem exdeputado da Frelimo no mandato anterior pelo círculo eleitoral de Gaza(2004/2009).

Segundo depoimentos recolhidos, a morte de Arnaldo Quibe constitui uma perda irreparável para a família, para o partido Frelimo, para o distrito de Bilene, para a Província de Gaza e para o país em geral pois, em vida, o finado deu o máximo de si para não só dignificar o distrito de Bilene, mas sim, a província de Gaza e o país em geral.

INDIGNAÇÃO E REPULSA

Este crime hediondo que chocou os macienses e não só, causou nos residentes desta região, a indignação, a repulsa, a dor e acima de, uma demonstração de que o crime não compensa, razão pela qual, na manhã da última sexta-feira, milhares de macienses, deixaram os seus afazeres para «inloco» dar o último Adeus ao querido filho da Terra dos Muchabje. Aliás, basta lembrar que a massiva presença de pessoas oriundas de quase todas as provínciais da região sul do país(Inhambane, própria província de Gaza, Maputo Cidade e província), deu para mostrar, o quanto Arnaldo Quibe era querido entre as suas gentes. Pessoas oriundas de quase todos os extractos sociais daquela vila, disseram-nos em momentos separados que desconheciam as reais causas que estiveram por detrás do baleamento mortal do jovem ex-deputado da Frelimo pelo círculo eleitoral de Gaza no mandato anterior( 2005/2009).

Basta lembrar que uma anciã, aparentando acima de noventa(90) anos de idade, prostado sobre a urna contendo os restos mortais de Arnaldo Quibe, questionou e implorou ao Senhor Todo Poderoso porque razão havia tirado a vida do finado e, em substituição, questionou se não havia espaço e possibilidade para troca, claramente, a sua indignação perante tamanha crueldade. Foi imensa a dor sentida, conforme os semblantes carregados de uma boa parte de gente que «in loco » quis dar o últmo adeus ao jovem Quive. ENCHENTE Um pastor da Igreja Presbeteriana e que disse ter sido aluno do exdeputado da Frelimo, revelou que “a presença de muita boa gente mostra sim senhor, que Arnaldo Quive foi um dos melhores filhos da terra. Ninguém merece tal sentença e estou chocado por a nossa vila estar a viver estes momentos tristes da sua história”.

Por outro lado, uma jovem estudante e que naquela sexta-feira preferiu acompanhar as exéquias fúnebres no lugar da escola, referiu que “sentia pena que a vida de alguém terminasse assim tão cruel. O professor Arnaldo ainda tinha muito a dar ao distrito de Bilene, a província de Gaza e ao país em geral. Eu própria como residente desta vila, sintome envergonhada por vivermos momentos conturbados como este; sou da opinião de que Macia – tal como outras regiões do pais – devem ser conhecido por boas causas”.

 “Estou chocado e indignado com esta morte”, disse um jovem da Organização da Juventude Distrital da Macia”, acrescentando que ” eu como jovem não me identifico com esta brutalidade”. Um Pastor de uma igreja local e que disse ter participado na cerimónia fúnebre pela amizade e simpatia que nutria pelo Jovem Quive, descreveu o finado nos seguintes termos: “era um jovem cheio de forças e de bom coração. Era amigo de todos e não desprezava ninguém. Foi-se um génio. Perdemos um professor, amigo, irmão e acima de tudo, um cultor de mentes e, quem perde é o país no geral”.

Para os malfeitores que tiraram a vida do jovem ex-deputado da Frelimo, outro presente nas exéquias fúnebres, disse o seguinte: ” Desgraçados de vós, homens ímpios que abandonaste a Lei de Deus Altíssimo; só para a maldição que nasceis; se morreis, á para a maldição e a vossa herança vem da terra e à terra voltará, assim, os ímpios passarão de maldição à ruína”.

MENSAGENS

As mensagens lidas nomeadamente, da Família, do Distrito de Bilene, da Organização da Juventude Moçambicana(OJM) ao nível do distrito, do Governo Provincial de Gaza, da Bancada da Frelimo a que pertenceu na Assembleia da República( AR), do Partido Frelimo ao nível distrital e do Círculo a que pertenceu, enalteceram as qualidades de Arnaldo Quibe, como pessoa que marcou a vida do distrito da Macia e, engrandeceu, sobremaneira, em particular, quando em 2005, com apenas 35 anos de idade entra no Parlamento moçambicano e, acima de tudo, os caminhos percorridos desde a sua formação no ensino primário, secundário, até dar no Centro de Formação de Professores da Munhuana, depois o regresso à Macia para leccionar, a passagem pela Escola Secundária de Chicumbane como professor, a entrada no Parlamento e, por último o regresso à carreira de docência depois de cumprir o mandato na AR.

 Para muitos macienses e não só, Arnaldo Quibe, mais do que um irmão, foi, acima de tudo, um cultor de mentes e, sobretudo, um jovem cuja visão esteve acima de tudo, no interesse geral do país. S

ILÊNCIO CÚMPLICE DAS AUTORIDADES?

Na Macia não se comenta nada nos últimos dias, senão a morte do ex-deputado da Frelimo, mas nestes comentários, há um aspecto que logo a partida salta à vista de todos. A incapacidade da Polícia local em investigar este caso, ou melhor, nas hostes macienses, a Polícia da República de Moçambique(PRM), é citada em como não estar a fazer absolutamente nada para o esclarecimento do caso o mais urgente possível, e alguns até descrevem o cenário em como de um “silêncio de cumplicidade” pois, desde que ocorreu este hediodo crime e até a nossa partida – sábado último – ninguém havia sido ouvido e/ou se foi ouvido “deve ter sido na calada da noite enquanto todos dormiam”, ou melhor, ninguém está sendo ouvido, nem da família – para apurar-se o jovem Quibe não comentava algo relacionado com a sua vida, nem da sua legião de amigos e muito menos de uma suposição de algum suspeito; quase nada.

Conforme declarações de um dos residentes da vila da Macia, “a nossa polícia está feita com malfeitores e, supostamente, foram eles que alugaram a arma que tirou a vida ao Quive; disso não tenha a menor dúvida; daí o muitismo”. Por outro lado, uma jovem que preferiu que o seu nome não fosse citado disse que “a nossa polícia pelo menos ao nível da Vila da Macia não tem feito um trabalho desejável; se fores perguntar irão dizer que não fizeram nada por falta de meios, mas um país não pode continuar a viver assim; deve-se fazer o mínimo, seguindo técnicas que aprenderam nas academias policiais”.

“Para mim não se justifica que até hoje a nossa Polícia não tenha sequer um susposto e/ou uma direcção – mesmo que seja errada – para possível esclaraecimento do caso” , desabafou sexta-feira última outro residente de Muchabje – um povoado adstrito à Macia, tendo acrescentado que “se não fazem o mínimo perante a morte de uma pessoa que até foi quadro superior do Estado – via Assembleia da República( AR) e pertenceu a bancada do partido no poder em Moçambique – imagina-se com zé-povão; estão a espera que a ordem venha de Maputo; passado todo este tempo que pistas a PRM tem; evidentemente nenhumas pois, não fazem e nem fizeram nada”. Alias, segundo defendeu uma jovem da OJM local, “a morte de Arnaldo Quibe deve até constituir uma celebração para alguns; – digo isto porque em pequenas cidades ou vilas como a nossa, quando um jovem se destaca – como foi o caso do Jovem Quibe que chegou ate ao cargo de deputado da AR – no lugar de ser amado e acarinhado; a vila orgulhar-se por isso não, é odiado e disso não tenhas dúvidas”.

O QUE A PRM DEVIA TER FEITO E NÃO FEZ

Entretanto, até a saída da nossa reportagem – sábado último- a Polícia da República de Moçambique( PRM), ao nível da vila da Macia, a única coisa que havia feito – neste caso – foi recolher as balas dispersas que tiraram a vida ao jovem Quibe e mais nada. Mas, os que entende dos manuais policiais e não só, alegam que a PRM, para além de recolher as balas dispersas – tendo em conta que foram sete(7) tiros disparados contra ele, nomeadamente, 5 balas dirigidas ao corpo e outras duas aos pés – muita gente já devia ter sido ouvida em relação com o processo, ou seja, a família – para apurar se Quibe teria comentado uma possível perseguição, os amigos(as), aqueles com quem partilhava a sua vida pois, acredita-se que no âmbito de uma investigação aturada podese chegar à conclusão das reais causas que tiraram a vida de Arnaldo Quibe, mas que a PRM remeteu-se ao silêncio de cumplicidade, ou seja, foi mais um crime, mas para uma parte de gente, este não foi um crime normal; daí que a PRM deve envolver todos os meios ao seu dispôr para a disponibilização de informação visando esclarecer este e outros casos que ocorrem na vila da Macia.

ÚLTIMO ADEUS

Por exemplo, ainda daquilo que a Polícia da República de Moçambique( PRM) devia ter feito, mas que não o fez, diz respeito aos últimos movimentos no dia do assassinato. Há uma versão que não podia ser menosprezada, de que por volta das 14 horas do dia 29 de Junho último, o finado estando na sua obra – pouco depois do controle da Macia para quem caminha em direcção a Maputo – terá supostamente recebido uma visita de dois jovens «rastas» que vinham conduzindo uma moto de cor azul e com dois tubos escapes; estiveram numa prolongada conversa com o malogrado e depois se puseram ao fresco, mas o que inquieta os macienes é que após o barulho dos disparos, ouviu-se o roncar do som da aludida mota; mais uma matéria para a PRM investigar, ou seja, se tal constitui verdade ou não.

Por outro lado, ainda no dia da morte de Arnaldo Quive, conta-se que recebeu um valor de 27 mil meticais de um amigo – aliás, este amigo viria a confirmar esta versão à família; mas, daquele valor, quando da tentativa de ser achado pela família, não veio a ser encontrado; aliás, outro elemento fundamental será o telemóvel – que atraves da mcel – podia apurar-se Arnaldo Quibe recebia ou não ameaças de morte e vinham de que direcção – mais dados para a nossa polícia investigar caso queira, ou seja, no melhor entendimento, dos macienses – pois é aqui onde deve iniciar a investigação e, conforme narrou um habitante desta vila: “morreu Arnaldo Quibe e, consequentemente, enterrada e/ou encerrada o processo de investigação e a vida toca para frente e, no virar da esquina, mais uma impunidade e a vida sempre anda para frente e, assim vai o nosso Moçambique real”.

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