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Aspirante a artista plástico

Aspirante a artista plástico

O sonho de trabalhar com as telas esteve sempre presente na sua vida. Sem sucesso, passou pelo atletismo, ingressou na música e, mais tarde, abraçou o teatro, mas sem nunca deixar morrer a paixão pelas artes plásticas. Presentemente, Dionildo Mussivame, de 26 anos de idade, luta para cumprir o desejo de infância que se vai tornando uma utopia com o tempo: expor as suas obras.

Despertou para as artes plásticas ainda pequeno e a paixão foi-se intensifi cando à medida que o tempo ia passando. É natural de Zavala, província de Inhambane, mas cresceu nos arredores da cidade de Maputo para onde veio viver quando contava com apenas três anos de idade.

A mãe deixou-o nos braços da sua avó e rumou para a África de Sul em busca de melhores condições de vida e nunca mais voltou. “Foi em casa da minha avó que comecei a sentir a arte”, conta. Nas brincadeiras de criança já demonstrava o seu lado artístico, pois gostava de fazer desenhos. E, afirma que, sem dar conta, começou a abraçar as artes plásticas.

Aos 12 anos de idade começou a levar a sério aquilo que presentemente considera uma vocação e procura expressar- -se através dela. “O meu tio não gostava do que eu fazia porque queria que eu fosse trabalhar para ajudar nas despesas de casa, facto que acabou fazendo com que eu parasse de pintar”.

Mas a reprovação do tio não foi o único motivo que o fez abandonar a ideia de ser artista plástico, as brincadeiras na adolescência também têm a sua quota-parte na história. “Eu queria divertir-me com os meus amigos e pintar quadros ficou para segundo lugar, uma vez que já não tinha tempo”, diz Dionildo.

Uma vida de insucessos

Durante muito tempo, o jovem moçambicano, de seu nome completo Dionildo Felisberto Mussivame, deixou de se dedicar à arte plástica e decidiu procurar a sorte no atletismo em provas de 800 e 1500m, e praticou a modalidade durante quatro anos. Por falta de patrocínio para as pequenas despesas, como transporte de casa para os treinos e equipamentos, desistiu.

Mais tarde, juntou-se a um agrupamento musical no qual foi vocalista, mas foi sol de pouca dura. “Descobri que a música não era a minha praia”, comenta. O teatro foi a sua outra opção. Era encenador e actor, mas, por falta de apoio, abandonou a ideia.O seu percurso não se resumiu apenas às artes. Emigrou para as terras do rand em busca do “el dourado”, mas, segundo o jovem, “as coisas não deram certo e tive de regressar”.

Em casa, sem emprego ou uma actividade rentável, as condições de vida definhavam diariamente e a pressão da família para a arranjar uma ocupação que lhe permitisse ganhar dinheiro crescia. Com apenas a sétima classe concluída, Dionildo viu-se obrigado a recorrer ao conserto de calçados.

Por muito tempo dedicou-se a esta actividade, até que um certo dia aconteceu o inesperado: um acidente com a sovela – um instrumento com que os sapateiros furam o couro para cosê-lo. A ferramenta de trabalho atravessou-lhe o dedo, tendo-o levado ao hospital onde lhe foi extraído o objecto.

O jovem aspirante a artista abandonou temporariamente a carreira de sapateiro. Tempos depois, a pressão dos familiares para contribuir no rendimento da família voltou a estar na ordem do dia. Dionildo voltou a exercer a actividade de conserto de sapatos. E como não há uma sem duas, a sovela atravessou-lhe novamente o dedo. Como forma de evitar que a situação voltasse a repetir- se, o jovem abandonou de uma vez por todas a actividade.

Pintar a música

Depois de várias adversidades por que passou, Dionildo Mussivame despertou novamente para as artes plásticas, até porque sempre se perguntava: “Porque não volto a pintar?”. No entanto, em 2008, graças à ajuda do seu amigo Nélvio Vilanculos, que ofereceu a sua casa para ele fazer e guardar o seu trabalho, recomeçou a pincelar. “Ele apoia-me bastante. Muitas vezes, já pensei em desistir da ideia de ser pintor, mas Nélvio puxa por mim e ajuda-me em algumas obras”, comenta.

Dionildo perdeu a conta das telas que, até hoje, pincelou. Começou a trabalhar com papel do tipo A4, passou para A3 e, neste momento, utiliza a cartolina, mas não se sente satisfeito. “Os materiais para fazer um quadro são bastante caros. Gostaria de usar telas, mas por falta de dinheiro não posso”.

O jovem adora pintar os fazedores da música, e não só, porque, afi rma, “a música é uma escola” e acrescenta: “Vivo e sinto a música, porque a cada melodia há uma nova experiência”. Já pintou quadros com os nomes de artistas como Stewart Sukuma, Moreira Chonguiça, Jimmy Dludlu, Neyma, MC Roger, Roberto Isaías, entre outros.

Também faz uma viagem para o universo de personalidades como Maria de Lurdes Mutola e outras figuras que têm contribuído para o engrandecimento do país.

Apesar de contar com pouco mais de 20 obras concluídas e outras ainda por terminar, Dionildo não se considera artista e diz com a devida modéstia: “Não sei o que sou. Só as pessoas podem dizer depois de verem o meu trabalho”. Nascido a 14 de Janeiro de 1985, a sua maior ambição é expor o seu trabalho, facto que se torna uma miragem.

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