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Após ataque da Polícia homens da Renamo assaltam comando policial; Há sete vítimas mortais

Após a invasão da sede da Renamo, nesta quarta-feira (3), por agentes da Força de Intervenção Rápida (FIR), em Muxungué, distrito de Chibabava, na província central de Sofala, os elementos da Renamo atacaram na madrugada desta Quinta-feira (5) o comando distrital da polícia, onde resgataram os 15 homens que haviam sido detidos na véspera. Dos confrontos resultaram sete vítimas mortais e pelo menos 14 feridos.

“A Renamo atacou a FIR por volta das três horas da madrugada. E como foi ataque de surpresa, naturalmente tivemos três baixas no local e um agente morreu a caminho do hospital de Nhamatanda (Sofala)”, disse à agência de informação portuguesa, Lusa, Arnaldo Machowe, Administrador de Chibabava.

“Da parte da Renamo, o comandante, que conduziu o ataque, morreu aqui. O comandante chama-se Rasta Mazembe. Então, as outras baixas da parte deles, eles carregaram, mas não conseguiram carregar o seu comandante”, explicou Arnaldo Machowe, que garantiu o regresso à normalidade na vila.

A polícia de Sofala atacou na passada quarta-feira a sub-base da Renamo em Muxungue, distrito de Chibavava, centro do país e deteve 15 ex-guerrilheiros aí aquartelados há duas semanas, supostamente porque realizavam “manobras militares”.

“O comandante (da Renamo) foi morto exactamente quando se dirigia a uma das celas para libertar os outros detidos”, contou Machowe à Lusa, acrescentando “que estavam nas celas 12 pessoas, pois, depois da triagem, se apercebeu que os outros três eram populares”.

Entretanto, uma fonte que prefere manter anonimato, afirmou telefonicamente à nossa reportagem que dos confrontos desta madrugada sete pessoas perderam a vida, uma do lado dos homens da Renamo e seis agentes da FIR.

A fonte, não oficial, acrescentou que no saldo dos feridos, que não pôde identificar, há mais agentes da FIR e que seis foram transferidos para o Hospital Central da Beira.

Situação estava tensa há vários dias

Segundo a AIM as forças de manutenção da lei e ordem lançaram na terça e quarta-feira duas operações contra antigos guerrilheiros da Renamo que tentavam reagrupar-se em locais onde durante a guerra civil serviram de bases militares. Esgotadas tentativas de negociação no sentido de dissuadir os homens da Renamo a abandonar os locais ocupados por estarem a “assustar” as populações, assim como pelo facto de estarem a acampar sem as mínimas condições de saneamento, a polícia decidiu avançar para retirada forçada dos homens da Renamo. Por isso, na quarta-feira, usando meios de ataque bastante sofisticados, incluindo blindados, a FIR tomou de assalto a sede distrital da Renamo em Muxúnguè, onde estavam acampados cerca de 150 guerrilheiros há cerca de duas semanas, segundo as estruturas administrativas locais.

O administrador distrital de Chibabava, Armando Machoue, disse que a presença dos homens da Renamo estava a criar uma situação de mal-estar que as populações locais já nem conseguiam ir a machamba. Várias vezes, as estruturas locais conversaram com os homens da Renamo no sentido de deixarem claro a sua pretensão, mas “nunca ficou claro o que eles queriam”.

Assim, na última sexta-feira, as autoridades policiais deram um ultimato aos homens da Renamo. “Porque não houve resposta positiva, a polícia interveio hoje (ontem) para repor a ordem”, disse Machoue. Na terça-feira, dia anterior, a polícia também desfez uma concentração de homens da Renamo, no distrito de Gondola, província central de Manica.

Entretanto, o Ossufo Momade, porta-voz da Renamo, afirmou nesta Quinta-feira (4), em conferência de imprensa, em Maputo, que “perante a guerra que nos é movida pela Frelimo e o seu governo, a Renamo pela primeira vez vai reagir. Queremos comunicar ao povo moçambicano e a comunidade internacional que a Renamo, está cansada de perseguições, humilhações, repressão, ditadura e da escravatura,” disse,

Para o efeito, a Renamo diz que pretende perseguir todas as pessoas que têm atacado aquele antigo movimento rebelde, até a sua proveniência, com armas que serão confiscadas aos agentes da FIR. Convidado a comentar sobre as acções concretas que o seu partido pretende adoptar para perseguir as pessoas que têm estado a atacar a Renamo, o porta-voz escusou-se a elaborar. Momade também não foi capaz de revelar quando é que o seu partido irá iniciar a referida perseguição.

O porta-voz do maior partido da oposição atribui a culpa ao Presidente da República, Armando Guebuza, a quem ele acusa de ter prometido, no início do seu mandato, acabar com a Renamo. “Nos vinte anos de convivência multipartidária e de paz aparente, o Governo da Frelimo sempre deu ordens as suas forças da polícia, da FIR e as forças armadas atacaram e continuam a atacar,” disse.

Entretanto, a população descreve um ambiente “assustador” na vila de Muxunguè, junto à estrada nacional n.º 1 (EN1), que tem vindo a assistir ao “abandono da população para zonas seguras”, tornando-se “vila fantasma” pelo espectro da guerra no local. “Só se ouvem tiros de pistolas. Não dormimos hoje, desde madrugada. Muitos abandonaram a vila e estão a ir para Chibabava ou Beira”, disse à Lusa uma residente local, identificada por Marta, acrescentando que “todo o comércio está encerrado”.

 

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