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Apertar mais o cinto

Apertar mais o cinto

Em Moçambique, o custo de vida continua a encarecer por entre fortes protestos do cidadão comum. Entre sarcasmos e o conformismo já há quem diga que de tanto apertá-lo, mais dias menos dias, o cinto rebenta.

Semana passada, o Instituto Nacional de Estatísticas (INE) confirmou com números aquilo que já inquieta a muitos moçambicanos: o poder de compra está a corroer-se dia após dia. A título ilustrativo, os preços de Agosto de 2008, quando comparados com os do mês anterior, apontam para um aumento do nível geral de preços na Cidade de Maputo na ordem de 0,59%.

O agravamento dos preços do Carapau (6,2%), do Arroz (2,4%), da Batata-reno (3,3%) do Frango vivo (1,3%) da Carne de vaca de 2ª limpa (1,7%) do Peixe fresco, refrigerado ou congelado (1,2%) e do Amendoim (1,0%), contribuiu no total da inflação mensal com cerca de 0,50%, obrigando, uma vez mais, milhares de famílias moçambicanas a voltar a apertar o cinto. É que estes produtos destacam-se entre os imprescindíveis na dieta alimentar de parte considerável deles.

 

 

A inflação acumulada em Agosto situou-se nos 4,80%. A divisão da Alimentação e Bebidas não alcoólica foi a principal responsável por este agravamento com uma contribuição no total na inflação acumulada de cerca de 3,03%.

Os produtos cujo agravamento de preços tiveram impacto mais significativo no aumento do nível geral de preços de Janeiro a Agosto, foram o Arroz, o Pão, o Coco, o Petróleo para iluminação, a Gasolina, o Esparguete e o Amendoim, tendo contribuído no total da inflação acumulada com cerca de 4,04%.

A meta das autoridades moçambicanas é chegar a Dezembro com um nível de inflação abaixo de 10%, situação que dependerá da flutuação dos preços, principalmente durante a quadra festiva. Com as festas do Natal e do Ano Novo na mira, Novembro e Dezembro sãos os meses onde os preços disparam devido ao aumento da procura, perante a deficiente oferta.

 

Efeito dominó

 

Recorde-se que de uma forma tímida, o Banco de Moçambique (BM) manifestou confiança na capacidade de o país atingir o crescimento económico previsto para 2008, que é de cerca de sete por cento, apesar da escalada do preço dos cereais e combustíveis no mercado internacional.

Contudo, o aumento dos preços dos combustíveis e do pão, em meados deste ano, não deixa de ameaçar os objectivos macroeconómicos do Governo para este ano. Em Julho, o gasóleo subiu 14 por cento, a gasolina 8,1 e o petróleo de iluminação, ainda bastante comum nas zonas rurais, deu um salto de 19 por cento. Esta subida está a ter um efeito dominó relativamente aos preços de quase todos os produtos básicos, segundo confirma o próprio INE.

Este é o retrato de uma economia que, há pouco mais de um ano, se esperava que estivesse em crescimento modesto, mas que agora luta por não cair em recessão.

 

Banco Central

 

Na apresentação da conjuntura económica nacional do primeiro semestre de 2008, o porta-voz e administrador do Banco Central de Moçambique, Valdemar de Sousa, disse que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) se situou nos 6,7% naquele período.

No período homólogo de 2007, o PIB esteve abaixo dos sete por cento previstos, recordou Sousa, o que faz prever que “será possível terminar o ano sem desvios relativamente ao nível do crescimento económico planeado”.

Anteriormente, o BM indicara um crescimento de 3,5% no primeiro trimestre deste ano, contra cerca de 10% no período homólogo de 2007, como reflexo de uma conjuntura internacional adversa (desde 2000 que a economia não crescia abaixo dos 7,0%).

Na altura, o banco apontava o dedo ao “mau momento da economia mundial”, e sobretudo à factura da importação de combustíveis, que subiu de 112 milhões de dólares nos primeiros seis meses de 2007 para 218 milhões de dólares no período homólogo deste ano, afectando o Orçamento de Estado no equivalente a 0,7%. do PIB até Dezembro.

A generalidade dos observadores tem dado como certa uma acentuação em 2008 da travagem do crescimento do PIB, depois do recorde de 2006 (mais 8,5 por cento), e dos 7,0 por cento do ano passado.

Moçambique tem nos serviços (sobretudo comércio, transportes e comunicações) o maior motor da economia, contribuindo com mais de metade do PIB, que ronda os 220,15 mil milhões de meticais.

 

Balança comercial

 

A balança comercial de Moçambique mostra que as exportações quase estagnaram no primeiro semestre do ano, atingindo 1,2 mil milhões de dólares, apenas 0,3% que no período homólogo de 2007.

Por seu turno, as importações aumentaram 14,2%, atingindo cerca de 1,5 mil milhões de dólares. Isto significa que Moçambique continua a comprar mais do que vende no mercado internacional, situação que encontra explicação na deficiente produção interna.

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