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Antes da Cúpula do Golfo, a Arábia Saudita acusa Irão de ingerência

A Arábia Saudita disse, esta Segunda-feira (24), que o Irão, seu rival regional, deveria parar de interferir em assuntos internos do Golfo Pérsico e espalhar a “sedição”, actividades que o governo iraniano nega.

Os comentários do chanceler saudita, príncipe Saud al-Faisal, seguem-se a acusações semelhantes feitas ao Irão pelo reino no passado. É provável que outros países do Golfo expressem queixas semelhantes numa cúpula de seis nações do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), que inicia na noite desta Segunda-feira.

“A interferência de um vizinho para provocar sedição é inaceitável”, disse o príncipe Saud, segundo o diário saudita al-Hayat, com sede em Londres. “Isto não é confortável, porque ele (o Irão) está a tentar usar as circunstâncias para interferir.”

O príncipe Saud deu a declaração no Barein, que está a sediar a cúpula anual do Conselho, liderado pelos sauditas e que reúne um grupo de seis países exportadores de petróleo do Golfo Pérsico: Arábia Saudita, Catar, Kuwait, Barein, Omã e os Emirados Árabes Unidos.

O jornal não entrou em detalhes sobre o que o chanceler saudita entende por “circunstâncias”, mas a queixa mais comum do Golfo Pérsico sobre suposta interferência iraniana na região relaciona-se com o Barein, que tem repetidamente acusado o Irão de interferir na sua política interna.

Apesar de não ter manifestações na escala do Egito ou da Líbia, a situação no Barein tem sido volátil desde o início dos protestos pró-democracia liderados pelos muçulmanos xiitas, que formam a maioria da população no país, governado por sunitas.

Forças da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos foram para o Barein no ano passado para ajudar a reprimir os protestos. O governo do Irão, que é xiita, condenou esse movimento de tropas, dizendo que poderia levar à instabilidade regional.

O Barein acusa o Irão de estar por trás dos protestos, mas o governo iraniano nega. Na cúpula de dois dias também deve haver novos chamados para o fim da violência na Síria e pedido de renúncia do presidente sírio, Bashar al-Assad.

Em Novembro, o Conselho do Golfo reconheceu a recém-formada coligação de oposição como a legítima representante do povo sírio.  Numa entrevista à televisão do Barein, o secretário-geral do Conselho, Abdulatif al-Zayani, disse que a cúpula debateria vários assuntos, incluindo a crise síria, os conflitos no Iémen e a “interferência iraniana”.

Os xiitas do Barein queixam-se de terem sido marginalizados na vida política e económica, uma afirmação que o governo nega.

Os governantes sunitas do país rejeitam a reivindicação dos manifestantes de que o governo do país seja eleito democraticamente.

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