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Agricultura biologica salva famílias na Zambézia

O Distrito de Inhassunge, sul da província da Zambézia, centro de Mocambique, tem potencial agro-ecológico para introduzir uma agricultura biológica de carácter medicinal e comercial, capaz de resolver o problema da pobreza agudizado com a morte do palmar.

Esta tese foi defendida, há dias, por Maria Paula Lacerda, em entrevista ao “Noticias” na cidade de Quelimane, a capital da Zambezia, quando acabava de receber do Executivo, o título do Direito de Uso e Aproveitamento da Terra (DUAT), em Inhassunge, numa área de 360 hectares para desenvolver um projecto de agricultura biológica de carácter medicinal.

Numa primeira fase a empreendedora plantou mais de mil árvores de uma planta chamada moringa adquirida na comunidade de Carungo e tem capacidade e propriedade de curar mais de 300 doenças e as sementes dessa planta servem, igualmente, para purificar água e com um elevado grau para resolver problemas de nutrição.

No distrito de Inhassunge, segundo Paula Lacerda, todos os residentes têm moringa nos seus quintais mas desconheciam a importância da planta na alimentação e na medicina, por isso, afirmou que há condições favoráveis para tornar a moringa uma fonte alternativa ao coqueiro já dizimado para milhares de famílias, o que passa, necessariamente, em massificar a sua produção de forma organizada, processar e comercializar no país e no mundo.

Lacerda explicou que está a trabalhar numa área de 1,5 hectare e já está a processar a moringa e a comercializar, a título experimental, nos estabelecimentos comerciais da cidade de Quelimane. A empreendedora disse que a planta pode crescer até sete metros de altura e exige uma dose de cuidados em termos de maneio integrado, nomeadamente, podas e outros.

A moringa pode ser usada para várias aplicações como, por exemplo, produzir óleo alimentar, sabões, shampos, cremes, entre outros produtos que podem concorrer para as famílias reduzirem a pobreza. As folhas são colhidas ao luar, depois colocadas a secar na sombra. Estas são processadas tradicionalmente no pilão e de seguida transformadas em pó que é embalado e comercializado. É tudo natural e sem químicos. A adesao das pessoas é grande, pelo menos na cidade de Quelimane.

Paula explicou que há países no mundo, incluindo nos EUA, onde viveu há vários anos, que levam a moringa nacional que depois de processada e conservada em plásticos ou frascos são chancelados como sendo desses países. Chama atenção, no entanto, de que se o país não acordar e estar preparado corre o risco dos outros ocuparem o lugar de Mocambique no mundo como produ- tores e exportadores da moringa.

A ideia de Lacerda não é apenas produzir a moringa, como também outras culturas que fazem parte da agricultura biológica, nomeadamente a amargosa e aloivera. Segundo as suas palavras, a produção, comercialização e exportação daquelas culturas não só pode ajudar a pagar impostos, salários como também, investir noutros negócios por forma que as famílias se livrem da pobreza.

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