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Afeganistão invalida votos da presidencial, mas incerteza persiste

A comissão encarregada de investigar fraudes na eleição presidencial afegã de 20 de Agosto ordenou na segunda-feira a invalidação de um “determinado percentual” de votos, o que, segundo observadores do pleito obrigará Hamid Karzaï a disputar um segundo turno. A Comissão de Reclamações Eleitorais (ECC) do Afeganistão ordenou que fossem invalidados os votos de 210 seções eleitorais (do total de 25.450) distribuídas em todo o País, em seu informe sobre as fraudes nas recentes eleições presidenciais, publicado na segunda-feira. Em um comunicado, a ECC assinala que encontrou “provas claras e convincentes de fraudes” em certas seções de votação.

A ECC também ordenou à Comissão Independente Eleitoral (IEC), encarregada de anunciar o resultado final, a levar em conta as ordens da ECC, que “invalida certo percentual dos votos de cada candidato”. Os resultados das investigações da ECC sobre as acusações de fraude em massa nos eleições presidenciais de 20 de Agosto poderão obrigar à IEC, considerada favorável ao presidente Karzai, a anunciar um segundo turno entre Karzai e seu adversário, Abddulah Abdulah.

No entando, na noite de segunda-feira, dois meses após a votação, a incerteza ainda reina absoluta sobre o desfecho deste processo muito polêmico, enquanto a comunidade internacional, que incentivou nos últimos dias Karzaï e seu principal rival, Abdullah Abdullah, a negociarem uma saída para a crise, pediu uma resposta rápida. A organização americana de observadores eleitorais Democracy International (Democracia Internacional em português) afirmou que os novos cálculos “sugerem” que as invalidações de votos ordenadas vão “reduzir o percentual do presidente Hamid Karzaï para 48,29% dos votos”.

A IEC deve, em seguida, anunciar os resultados oficiais da votação, levando em conta, em teoria, estas invalidações. O anúncio é esperado para dentro de alguns dias, possivelmente quarta-feira. Um diplomata ocidental também confirmou à AFP que as conclusões do ECC deixam Hamid Karzaï com apenas 48%, em vez dos 54,6% dos resultados provisórios anunciados anteriormente. O ECC, contatado pela AFP, negou-se a confirmar esta informação.

Em caso de segundo turno, Karzaï enfrentaria o ex-ministro de Relações Exteriores, Abdullah Abdullah, que obteve 27,8% dos votos, de acordo com os resultados preliminares, mas que passaria a ter 32% com a invalidação dos votos após as fraudes segundo a Democracy International. Desde o início do processo, as tensões são fortes entre a ECC, patrocinada pela ONU, e a IEC, considerada favorita ao presidente actual. A comunidade internacional está preocupada há duas semanas com a possibilidade de o presidente Karzaï não aceitar os resultados, caso não seja eleito no primeiro turno.

“Esperamos da IEC que aplique rapidamente as ordens da ECC e que anuncie prontamente um resultado final, ou a necessidade de um segundo turno, como o exigido pela lei eleitoral afegã”, declarou o porta-voz da ONU em Cabul, Aleem Siddique. O anúncio do ECC sai no momento em que a população afegã e os Países ocidentais que apoiam o governo desde 2001 começam a perder a paciência, dois meses após a realização das eleições, e enquanto intensos esforços diplomáticos prosseguem em Cabul para encontrar uma saída para a crise.

Segundo diplomatas ocidentais e dirigentes afegãos, trata-se de convencer o presidente actual a aceitar o resultado da votação, entre eles sem dúvida, a possibilidade de um segundo turno, ou um acordo político com Abdullah, que por sua vez obteria compensações.

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