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Activistas da Etiópia cobram notícias de líderes detidos após incêndio em prisão

Activistas de oposição da Etiópia exigiram notícias sobre o destino de seis de seus líderes e de outros detidos de uma prisão de alta segurança que foi devastada por um grande incêndio no fim de semana.

O governo disse que 21 prisioneiros morreram no incêndio, que se alastrou pelo complexo de Qilinto no sábado, mas não identificou nenhuma das vítimas.

Outros dois prisioneiros foram mortos a tiros quando tentavam escapar da estrutura, situada nos arredores da capital Addis Ababa, acrescentou o governo em um comunicado breve dois dias depois do incidente, novamente sem identificar as vítimas.

O partido opositor Congresso Federalista de Oromo (OFC) disse nesta terça-feira que não teve notícias de seis de seus líderes, entre eles o vice-presidente do conselho, Bekele Gerba, e o secretário-geral assistente, Dejene Tafa, que foram presos em Dezembro pela suspeita de incitarem protestos.

“A nossa liderança inteira está detida naquele lugar, e não fazemos ideia do que aconteceu com eles”, disse o vice-presidente assistente do conselho do OFC, Mulatu Gemechu, à Reuters.

“O governo tem a responsabilidade de explicar ao público, e não menos às suas famílias. Não temos ideia por que está demorando tanto”, disse. O Governo não respondeu de imediato.

Dissidentes afirmam que os prisioneiros mais recentes são oromos étnicos presos por participarem de manifestações pedindo direitos de posse de terra e contra supostos abusos de direitos humanos que abalaram uma das economias africanas que crescem mais rápido desde o ano passado.

Na semana passada, os Estados Unidos da América disseram estar profundamente preocupados com o uso de força excessiva contra os manifestantes. Em junho a entidade humanitária Human Rights Watch disse que pelo menos 400 deles foram mortos por forças de segurança.

O Governo da Etiópia – um grande aliado dos EUA na luta contra militantes na vizinha Somália – contesta o saldo de mortes e diz que os protestos estão sendo realizados de forma ilegal, atiçados por grupos rebeldes e dissidentes sediados no exterior.

O primeiro-ministro etíope, Hailemariam Desalegn, disse na semana passada que irá realizar reformas “profundas” e prometeu tratar das reivindicações, mas alertou que tomará medidas se as manifestações se tornarem violentas.

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