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Investigadores namibianos estudam perfil do comandante do voo TM 470

Investigadores da Direcção de Investigação de Acidentes de Aéreos da Namíbia chegam a Maputo na próxima semana para estudar a vida privada do piloto que comandava a aeronave moçambicana que se despenhou no território namibiano a 29 de Novembro último, matando todas as 33 pessoas que seguiam a bordo. Trata-se do piloto Hermínio dos Santos Fernandes, que estava no comando da aeronave quando se despenhou na Namíbia.

Um relatório preliminar das investigações indica que houve “uma clara intenção” do piloto em fazer cair o avião. Fontes citadas pelo jornal namibiano “New Era”, afirmam que, agora, o enfoque das investigações é apurar se realmente o piloto teria “intencionalmente despenhado o avião”, segundo as conclusões do relatório preliminar resultante da leitura das caixas negras do aparelho.

“A investigação passou do factor aeronave para o factor humano”, explicou o Director de Investigação dos Acidentes Aéreos no Ministério do Trabalho e Transportes, o Capitão Erickson Nengola, falando terça-feira ao jornal “New Era”. “A equipa irá partir da Namíbia para Moçambique para investigar a vida privada do piloto, que será parte integrante de uma investigação intensiva sobre o que terá acontecido naquele voo fatal”, acrescentou a fonte.

A Namíbia, na qualidade de país de ocorrência do acidente, lidera a comissão de inquérito responsável para apurar a ver- dade sobre as reais causas deste sinistro, o primeiro do género a envolver uma aeronave de bandeira de Moçambique, desde o início da história da aviação no país na década 30 do século passado. O voo TM470, da empresa pública Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), partiu de Maputo na manhã do dia 29 de Novembro com o destino a Luanda, tendo-se despenhado na região norte da Namíbia, no Parque Nacional de Bwabwata.

Os resultados preliminares do relatório das investigações foram apresentados em Dezembro último pelo Presidente do Conselho de Administração (PCA) do Instituto Nacional de Aviação de Moçambique (INAM), João Abreu. Na ocasião, Abreu disse “a comissão de investigação concluiu que todas as acções observadas nas gravações requerem um conhecimento dos sistemas automáticos do avião, uma vez que toda a descida foi executada em piloto automático ligado. Isto denota uma clara intenção. A razão para todas estas acções é desconhecida e a investigação prossegue”.

Informações retiradas das caixas negras revelaram ainda que o voo operou normalmente a nível cruzeiro de 38 mil pés, e tinha uma boa comunicação com o controlo da área de Gaberone, Botswana. Os dados do radar revelaram que na posição EXEDU, ponto de relatório obrigatório de informação na região de Gaberone, o avião começou a descer repentinamente do nível do voo normal de cruzeiro de 38 mil pés.

O centro de controlo perdeu contactos de radar e voz, daí encetadas buscas e salvamento que conduziram a localização dos destroços no Parque Nacional de Bwabwata. “O avião caiu com o piloto aceso e disse ainda desconhecer as razões que teriam originado esta atitude. O co-piloto teria, na ocasião, abandonado a cockpit e quando tudo aconteceu ele estava ausente”, disse Abreu.

Depois da sua conclusão da investigação da vida privada do piloto moçambicano, o relatório final da investigação será enviado para todos os estados envolvidos no trabalho, incluindo Angola (país de destino da aeronave na altura do voo), Brasil (país do fabricante do aparelho) e Estados Unidos da América (país fabricante dos motores do Embraer).

A seguir a esse relatório preliminar, a Namíbia, na sua qualidade de país de ocorrência do acidente, irá entregar o relatório à Organização Internacional da Aviação Civil (ICAO) bem como aos países do operador (LAM), do registo, do fabricante e do desenho do aparelho.

Director de Investigação dos Acidentes Aéreos no Ministério do Trabalho e Transportes, só depois desses procedimentos o relatório final será tornado público. A fonte disse igualmente que os corpos de todos os ocupantes da aeronave – 27 passageiros e seis membros da tripulação – já forma identificados e que os destroços do avião ainda se encontram no Parque Nacional de Bwabwata, devendo a sua recuperação iniciar também na próxima semana.

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