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A sombra de Saddam Hussein presente nas eleições iraquianas

Há mais de três anos que Saddam Hussein foi executado, mas sua sombra está presente nas eleições iraquianas, nas quais centenas de candidatos foram excluídos por presumíveis vínculos com o ilegalizado Partido Baath, ao qual estava filiado o ditador. A controvérsia gerada por estas eliminações dominou a campanha das legislativas programadas para este domingo.

No centro da polêmica está Ali al Lami, diretor executivo do Comitê de Justiça e Responsabilidade (JAC), que eliminou 500 candidatos das listas eleitorais. Ele mesmo é candidato. “As decisões do JAC obedeceram às leis”, insistiu Lami, de 46 anos, pai de seis filhos. “Alguns deles (os candidatos excluídos) são do partido Baath, e outros trabalham como espiões”, disse à AFP.

“Todos eles são perigosos”, sustentou. Lami falou sobre o assunto da casa, em Bagdá, de seu amigo Ahmed Chalabi, presidente do JAC, também candidato ao parlamento, e um dos homens cuja informação errônea sobre as armas de destruição em massa levou os Estados Unidos a invadir o Iraque, em 2003. Contou que no dia 1° de janeiro, seu comitê recebeu da comissão eleitoral uma lista nominal de 6.500 candidatos às eleições com o pedido de que fosse revisto seu passado para ver se tiveram algum papel na opressão exercida pelo ditador sunita Saddam Hussein.

Foram verificados os nomes em três bases de dados – cujos detalhes não deu -, estabelecendo-se informes sobre os supostos vínculos dos candidatos com o Partido Baath, disse Lami, que, assim como Chalabi, se apresenta na chapa da Aliança Nacional Iraquiana. Em 10 dias, 511 candidatos foram excluídos, dos quais 28 foram posteriormente readmitidos. Mas, na maioria dos casos, os partidos políticos decidiram ou retirar seus candidatos contestados ou substituí-los por outros. Lami assinalou que dois terços dos nomes que integravam as chapas eleitorais pertenciam à maioria xiita e o terço restante, aos sunitas.

O primeiro-ministro, Nuri al Maliki, demonstrou logo apoio às decisões da JAC, assinalando que só os “criminosos” e “assassinos” se veriam afetados. O Iraque, acrescentou, não tem “nenhuma intenção de reconciliar-se com os que consideram (…) Saddam um mártir”, em referência à execução, em dezembro de 2006, do presidente deposto, por crimes contra a humanidade.

A polêmica em torno destas proibições dominaram a campanha eleitoral e questionaram a legalidade do JAC, assim como a independência das instituições judiciies, a própria credibilidade da comissão eleitoral e a regularidade das eleições de domingo. Saleh al Mutlak, líder da Frente de Diálogo Nacional Sunita e o mais destacado dos candidatos eliminados, condenou o JAC, considerando sua decisão “um golpe definitivo no processo político e o suicídio da democracia no Iraque”.

Diplomatas e analistas se queixam da falta de transparência no processo que permitiu as eliminações. Temem que a controvérsia dissuada alguns iraquianos de votar. O processo também acentuou as tensões políticas num país entregue à violência sectária em 2006 e 2007 e ocorre no momento em que os Estados Unidos se dispõem a retirar a metade de suas tropas do país, antes do final de agosto.

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