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‘@Verdade Convidada: A questão de Osama Bin Laden

O Presidente Barack Obama autorizou um ataque localizado contra um complexo habitacional em Abbottabad, Paquistão, que ocorreu no dia 1 de Maio de 2011 e resultou na morte de Osama bin Laden. Bin Laden não era só um inimigo declarado dos Estados Unidos, era inimigo de todos os que prezam a paz e era um perigo para a humanidade.

No Quénia e na Tanzânia, em Londres e Madrid, Bali, Istambul, e muitos outros lugares, pessoas inocentes – na sua grande maioria muçulmanas – eram alvejadas em mercados e mesquitas, em estações de metro, e em aviões, cada ataque motivado por uma ideologia violenta, sem qualquer apreço pela vida humana ou consideração pela dignidade humana. Essa era a ideologia de Osama bin Laden, uma ideologia responsável pelas mortes de milhares de mulheres e crianças inocentes de muitas nacionalidades e credos.

Há vários anos tive o privilégio de servir como Ministra Conselheira na Embaixada dos E.U.A. em Nairobi, Quénia. No dia 7 de Agosto de 1998, terroristas bombardearam as nossas embaixadas no Quénia e na Tanzânia. Doze americanos e 24 dos nossos funcionários quenianos foram mortos, bem como outros 200 quenianos inocentes no seu caminho para o trabalho ou para a escola. Adicionalmente, mais de 5.000 quenianos foram feridos no ataque. Durante os meus anos no Quénia, vi com os meus olhos o impacto trágico sobre muitos dos nossos funcionários leais que sobreviveram ao bombardeamento. Dois dos nossos funcionários ficaram cegos e muitos outros foram feridos no ataque, mas continuaram a trabalhar apesar desses desafios. Encontrei-me com muitos outros quenianos sobreviventes que lutavam por reconstruir as suas vidas no rescaldo deste evento terrível. Depois da morte de Osama Bin Laden, tocaram-me as palavras do Presidente do Quénia, Mwai Kibaki, que afirmou “A eliminação de Osama teve lugar quase 13 anos após os bombardeamentos terroristas em Nairobi que levaram à morte de mais de 200 pessoas, num acto que se acredita ter sido orquestrado por Osama. A sua eliminação foi um acto de justiça para aqueles quenianos que perderam as suas vidas e os muitos mais que sofreram ferimentos.”

Líderes de muitos países por todo o mundo se juntaram aos Estados Unidos no reconhecimento do significado deste evento como um passo importante na luta por uma coexistência pacífica e rejeição da intolerância. Os poucos que consideram bin Laden como um líder muçulmano talvez se esqueçam dos milhares de muçulmanos inocentes que ele sacrificou porque não aderiram à sua interpretação do Islão. Líderes muçulmanos por todo o mundo não deixaram dúvidas de que o verdadeiro Islão é uma religião de paz, que o sagrado Corão condena actos terroristas, e que a derrota de bin Laden constitui um passo importante para os muçulmanos e para todas as pessoas que procuram viver em paz, segurança e dignidade. As suas falsas afirmações de que representava os milhões de muçulmanos amantes da paz em todo o mundo trouxeram-lhes suspeitas e sofrimento desnecessários.

Bin Laden foi alvejado porque era um terrorista, não porque era muçulmano.

Os Estados Unidos não estão, e nunca estarão, em guerra contra o Islão. Sentimos orgulho das nossas fortes relações com países muçulmanos, organizações e grupos muçulmanos por todo o mundo, incluindo em Moçambique. Milhões de muçulmanos americanos praticam a sua fé sem restrições nos E.U.A., apoiados por vizinhos, colegas, e pelas suas comunidades. Moçambique tem sido um exemplo de tolerância mútua entre diferentes grupos religiosos, e conta com um longo historial de muçulmanos, cristãos, hindus, judeus e muitos outros grupos que vivem, trabalham e melhoram o seu país em conjunto. Elogiamos Moçambique como um exemplo desta coexistência pacífica para outras nações que procurem alcançá-la. Estendemos e continuaremos a estender a nossa mão em amizade àqueles que estão empenhados na paz e na tolerância. No entanto, ainda estamos em guerra com a al-Qaeda. Como o único líder da al-Qaeda até hoje, a derrota de Osama bin Laden marca o final de um capítulo no nosso esforço para derrubar, desmantelar e derrotar a al-Qaeda. O mundo ficará mais seguro a longo prazo por causa da morte de Osama bin Laden.

O Islão vê com grande importância o respeito pelos falecidos e os rituais associados com o enterro dos mesmos, pelo que o corpo de bin Laden foi preparado de acordo com as práticas islâmicas e subsequentemente enterrado no mar. Cremos firmemente que nenhum grupo deveria ter a possibilidade de usar o local de enterro de alguém que causou tantos danos deliberados como um meio para inspirar mais violência. Está ainda a ser discutido quando e de que forma poderá ser revelada mais informação sobre os eventos que levaram à sua morte.

A luta para acabar com a al-Qaeda e o seu sindicato de terror não terminará com a morte de bin Laden. De facto, deveremos usar esta oportunidade para renovar a nossa resolução e redobrar os nossos esforços. As nossas parcerias, incluindo a cooperação próxima com o Paquistão, ajudaram a colocar uma pressão sem precedentes sobre a al-Qaeda e a sua liderança.

Esta é uma data para recordar, não só para os Americanos, mas para as pessoas de todo o mundo que procuram um mundo mais pacífico e seguro – certamente continuando a praticar a vigilância, mas mais ainda com uma esperança crescente e fé renovada sobre as possibilidades futuras.

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