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A primeira viagem (1888) a 16 km/h

A primeira viagem de automóvel teve lugar em 1988, tendo sido realizada por uma mulher. Bertha Benz teve a coragem de deixar a cidade de Mannheim, para se aventurar pelos difíceis caminhos da época, à louca velocidade de 16 km/h.

O automóvel que Karl Benz registou no “Serviço Imperial de Patentes de Berlim”, em 29 de Janeiro de 1886, poderia ter ficado esquecido durante algum tempo, se não tivesse sido alvo de uma “operação de marketing” criada pela sua mulher. Se herr Benz era um imérito inventor, frau Benz mostrou que tinha olho para aquilo a que hoje chamamos “marketing”. Ela considerava que “as pessoas só compram as coisas que conhecem”, e estava decidida a dar a conhecer o automóvel criado pelo seu marido. Numa altura em que se multiplicavam os inventos e se afirmavam os nomes dos inventores, o passo seguinte, que levava à

comercialização, era mais lento e difícil. Mas Bertha Benz tinha pressa. Por isso, imaginou uma viagem que permitisse afirmar as potencialidades do novo invento, assumindo em segredo uma viagem louca que ficou para a história como a primeira “maratona” de um automóvel, cuja velocidade máxima não ultrapassava os 16 km/h. Em Agosto de 1888, Bertha Benz decidiu mostrar que a invenção de Karl Benz era capaz de ir além de pequenas “voltinhas” citadinas em Mannheim, onde viviam, decidindo promover as potencialidades do invento. Na época, viajar estava longe de ser comparável ao que acontece hoje, tanto mais que as estradas eram verdadeiras “picadas” de terra batida, com um misto de calhaus e buracos. As dificuldades não assustaram frau Benz, que, acompanhada pelos seus filhos (Eugen, de 15 anos, e Richard, de 14), decidiu partir de Mannheim, seguindo por Weinheim, Heidelberg, Wiesloch e Durlach, até Pforzheim, onde tinha nascido.

Maratona de 180 km

Foi uma viagem de 106 km, num percurso onde apenas se podiam encontrar alguns cavaleiros e carruagens. Um trajecto onde o primeiro automóvel e a primeira viajante sentada atrás de um volante estavam entregues a si próprios, tanto mais que, não havendo automóveis, também não existiam zonas de reabastecimento. Como se pode imaginar, a viagem foi uma epopeia. Para garantir combustível (benzina), Bertha Benz teve de recorrer a uma farmácia em Wiesloch, que ainda hoje recorda esta viagem na sua publicidade. Conta-se que Bertha desentupiu as canalizações da alimentação do pequeno motor com ganchos de cabelo, que os seus filhos tiveram de empurrar o veículo nas subidas mais íngremes, e que teve grandes dificuldades com os travões nas descidas mais pronunciadas.

Mas, apesar de tudo, Bertha Benz chegou a Pforzheim.

Depois de tudo o que tinha passado, foi altura de avisar Karl Benz do êxito de uma aventura que assumiu em segredo. Por isso, na sua terra natal, enviou um telegrama com a notícia do sucesso da sua viagem. Mas frau Benz não estava satisfeita, nem abatida com as provações por que passara. Por isso, decidiu regressar a casa da mesma forma como saíra e, no dia seguinte, repetiu a jornada que havia sido uma odisseia e que hoje é recordada como a primeira grande viagem realizada por um veículo automóvel. Foram cerca de 180 km de maus caminhos que serviram para atestar o potencial da invenção de Karl Benz. Durante a viagem, a reacção de todos os que se cruzaram com o “veículo sem cavalos” foi a melhor publicidade que este poderia ter tido, e as informações de Bertha Benz contribuiram para aperfeiçoar o protótipo, que, graças a este teste, veio a ser melhorado.

 

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