Para continuarmos  a fazer jornalismo independente dos políticos e da vontade dos anunciantes o @Verdade passou a ter um preço.

19º Dia da Greve dos Profissionais de saúde: Governo abandona negociações; Médicos enviam carta ao Presidente Guebuza

A Associação Médica de Moçambique (AMM) manifestou, esta sexta-feira (07), em Maputo, a sua indignação e repúdio pelo facto de a equipa negocial do Governo exigir novamente a exclusão da Comissão dos Profissionais de Saúde Unidos (CPSU) como condição para a continuação do diálogo com vista a encontrar-se uma solução para a greve que dura há cerca de três semanas.

A AMM rejeitou veementemente essa pretensão do Executivo e argumentou que a paralisação dos serviços nas unidades sanitárias do país não é somente dos médicos, mas também de outros profissionais de Saúde, por isso, a presença da CPSU “é imprescindível e já tinha sido previamente aceite”.

“A Associação Médica de Moçambique e Comissão dos Profissionais de Saúde Unidos dirigiram-se ao edifício do Ministério da Saúde com o objectivo de manter um diálogo de modo que essa situação (o impasse que faz com que a greve perdure), que tanto faz sofrer os moçambicanos, possa, de uma vez por todas, fazer parte da história ou do passado do nosso país”, disse AMM e alertou que a exigência da exclusão da CPSU apresentada pelo Ministério da Saúde (MISAU), através do seu secretário permanente, representa um grave retrocesso nas negociações.

A agremiação apelou à Sociedade Civil para que intervenha no assunto no sentido de ajudar a resolver o impasse que impede o regresso dos profissionais de saúde aos seus postos de trabalho. “Nós achamos que a saída é o diálogo, mas não achamos que o Ministério da Saúde deve exigir conversar apenas com os médicos enquanto a greve não é só deles”.

“Não juramos para morrermos a fome”

Enquanto isso, a CPSU disse que dos três encontros de negociação mantidos com o Executivo não houve nenhum sucesso porque a contra parte não aceita uma negociação conjunta que inclua os dois organismos que lideram a greve. Por isso, apela para que as negociações sejam inclusivas e sinceras.

“As intimidações continuam e a comissão dos profissionais de saúde está aberta para um diálogo concreto e franco. Juramos salvar vidas e não morrermos a fome. O que se espera de um profissional de saúde que trabalha descontente?”, perguntou a CPSU.

VEJA A CONFERENCIA DE IMPRENSA NA INTEGRA

{youtube}CIEMjwxem20&sns{/youtube}

Aquela comissão convocou, através da Imprensa, a todos os médicos e membros associados para participarem numa Assembleia Geral Extraordinária a ter lugar no dia 10 de Junho em curso, pelas 08 horas, no Cine Teatro Gilberto Mendes, na qual debater-se-á o andamento das negociações e far-se-á o balanço geral da greve que visa minimizar os problemas que apoquentam os profissionais de saúde no país.

Carta de proeminentes médicos ao Presidente da República

Ainda nesta esta sexta-feira (7), 84 proeminentes médicos moçambicanos endereçaram uma ” Carta Aberta o Presidente da República, Armando Guebuza”.

Em duas páginas, a carta que é assinada por três antigos Ministros da Saúde – Dr. Pascol Mocumbi (que foi incluive Primeiro Ministro), o Dr. Hélder Martins e o Dr. Fenrando Vaz –  destaca a falta de prioridade que é dada pelo Governo de Armando Guebuza ao sector da Saúde. “Ao longo dos anos, e ao contrário do que se verificou em outros sectores, as condições de trabalho e de vida destes profissionais de saúde foram-se deteriorando acentuadamente, com faltas básicas de medicamentos e equipamentos nas Unidades Sanitárias, com condições de habitação péssimas, sobretudo para os jovens médicos e para os pós-graduados, e com salários de miséria. Com efeito o Orçamento do Estado para a Saúde, no decurso dos últimos 6 ou 7 anos, diminuiu em cerca de 50%, enquanto em alguns outros sectores, de muito menor relevância social, aumentou em 10 vezes, 1000% (mil por cento) !!!! Isto demonstra o grau de prioridade que o Governo coloca ao sector da Saúde.”

Na missiva os médicos moçambicanos afirmam consideram que “as reivindicações apresentadas (pelos Profissionais de Saúde ora em greve) e a grve são justas e legítimas” e afirmam estar perplexos e indignados com a coação, intimidação, demissão e repressão exercida sobre os profissionais de saúde envolvidos na greve, “medidas estas totalmente contraditórias com o reconhecimento da sua legitimidade, não aceitáveis num Estado de Direito e que só contribuem para o agravamento da situação”.

Na mesma carta repudia-se a recente detenção do presidente da AMM, Jorge Arroz, acusado de sedição e deplora-se igualmente o facto de haver alguns órgãos de comunicação e dirigentes que promovem campanhas de desinformação na tentativa de minimizar a gravidade da situação da greve e ocultar os problemas existentes no Serviço Nacional de Saúde (SNA).

No mesmo documento refere-se também que o recurso a estudantes de Medicina, de Enfermagem, socorristas e voluntários é um crime “O recurso a estudantes de Medicina, de Enfermagem, socorristas e voluntários é uma solução perigosa e enganosa, que pode levar a erros graves e irreparáveis, pois não é o simples uso de uma bata branca que confere as habilidades e competência para o exercício da profissão. Para além do mais, é fortemente atentatória ao preceituado no Estatuto da Ordem dos Médicos aprovado por Lei da Assembléia da República e configura um crime, previsto no Código Penal em vigor, de exercício ilegal de profissão, neste caso exercício ilegal da Medicina.”

A “Carta Aberta” termina apelando à intervenção do Presidente Armando Guebuza, como o mais alto Magistrado da Naçao para o início de um “imediato diálogo genuíno e frutuoso” referindo esta greve como “a luta pela auto-estima dos médicos e dos demais profissionais de Saúde”.

Manguele suspende formação de pós-graduação

Entretanto, o ministro da Saúde, Alexandre Manguele, suspendeu temporariamente, com efeitos imediatos, a formação de pós-graduação nas unidades sanitárias do SNS supostamente devido à scassez de recursos humanos, materiais e financeiros que afectam gravemente a qualidade da formação nessa área.

As medidas tomadas por Manguele inibem também a afectação dos médicos “em pós-graduação em qualquer unidade sanitária do SNS de todo o país e visam reorganizar os serviços e as criação de condições para a formação de quadros”.

Médicos e Profissionais de Saúde reúnem na segunda-feira

No seguimento do última ronda de negociações com Governo, e da continuação da greve, foram agendados dois encontros extraordinários pelos grevistas para esta segunda-feira (10) em Maputo. Para as 8 horas está agendado um encontro dos Profissionais de Saúde no Teatro Gilberto Mendes e, para às 14 horas, está marcado um encontro dos médicos no anfiteatro do ISPU.

Share on facebook
Facebook
Share on google
Google+
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on pinterest
Pinterest

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Related Posts

error: Content is protected !!