O jipe-robô Curiosity deve ter concluído, esta Quinta-feira (13), uma verificação de instrumentos exaustiva e que durou várias semanas, abrindo caminho ao seu primeiro longo percurso para determinar se Marte já teve condições de abrigar vida, disseram os oficiais da Nasa.
O laboratório móvel de seis rodas, movido à energia nuclear, aterrou há cinco semanas na vasta cratera Gale, perto do equador marciano, para realizar a primeira missão de astrobiologia da Nasa desde as investigações das sondas Vikings na década de 1970.
Para a sua verificação final de equipamento o Curiosity vai manobrar o braço do robô para que a sua câmera de close-up toque a bandeja onde as amostras processadas de rocha e solo serão analisadas.
O jipe-robô, equipado com um conjunto dos mais elaborados instrumentos de laboratório já enviado a um mundo distante, também tem alguns passeios turísticos programados na sua agenda. Os cientistas querem obter imagens de vídeo da lua marciana Fobos passando pelo sol.
A partir da noite da Sexta-feira (14), o plano é “dirigir, dirigir, dirigir” até que os cientistas encontrem uma rocha adequada para a primeira análise robótica “ao toque” da sonda, disse a coordenadora da missão, Jennifer Trosper, a repórteres durante uma teleconferência, Quarta-feira (12).
O robô vai parar quando os cientistas encontrarem solo adequado para recolher e analisar no laboratório químico a bordo do Curiosity. Durante todo o tempo o robô seguirá em direcção a um local que os cientistas chamaram “Glenelg”, onde três tipos diferentes de rocha cruzam-se.
Glenelg, que fica a cerca de 400 metros de distância da posição actual do Curiosity, foi nomeado por geólogos da missão com base numa formação rochosa no norte do Canadá.
O objectivo geral da missão Laboratório de Ciência de Marte, de 2,5 bilhões de dólares, é a busca por lugares onde os organismos microbianos poderiam ter evoluído e sido preservados. Além de pegar marcas químicas e geológicas de água, o Curiosity vai procurar compostos orgânicos e outros ingredientes que acredita-se que sejam necessários para a vida.
O Curiosity, projectado para durar dois anos, vai aventurar-se cerca de 7 quilómetros a partir do seu local de aterragem para subir um monte de quase 5 quilómetros de altura de rocha em camadas a partir do chão da cratera Gale.
Apelidado de Monte Sharp, acredita-se ser o resto de sedimentos que no passado encheram a área de 154 metros de largura. O robô já acumulou 109 metros em seu hodómetro durante percursos de teste.
Antes de sair para o Monte Sharp, os cientistas esperam dirigir o Curiosity cerca de 40 metros por dia durante o trajecto planeado até o Glenelg, com várias paradas para observações científicas.