As igrejas dos países lusófonos de África estão agastadas com o aumento de contaminações pelo HIV/Sida no continente ante a existência de religiões e curandeiros que enganam os doentes prometendo-lhes a cura a partir de simples rezas e ervas e/ou raízes.
A preocupação foi manifestada, esta Segunda-feira (03), em Maputo, na Conferência Inter-Religiosa dos Países Lusófonos de África sobre a problemática do HIV/SIDA em Moçambique e nos países de africanos de língua portuguesa.
Segundo as reclamações feitas no encontro, existem líderes religiosos que recebem, nas suas congregações religiosas, pessoas padecendo do Sida e em avançado estado da doença, alegando que rezas podem operar milagres de cura.
Para variar o fenómeno, os curandeiros internam, em suas casas, pessoas infectadas pelo HIV/Sida prometendo-lhes cura na base de ervas e de raízes.
Os líderes religiosos deploram tal situação e defendem a criação de um mecanismo de diálogo entre crentes e outros interessados na matéria para que o combate ao HIV/SIDA em Moçambique e noutros países africanos de expressão portuguesa surta os efeitos desejados.
Os cristãos querem engajar-se ainda mais no contributo da redução das infecções pela pandemia do Sida em Moçambique e nos países africanos em reconhecimento do papel que as igrejas exercem sobre as populações, não obstante serem apontadas como contrárias a algumas recomendações científicas como as do uso do preservativo.
Os religiosos, reunidos sob a Iniciativa Ecuménica para HIV/SIDA em África, sob direcção do Conselho Cristão de Moçambique, em parceria com a ONUSIDA, FNUAP, UNICEF e Tear-Fund, assumem que o HIV não é apenas um problema dos pagãos.
Trata-se de um mal que atinge todos os estratos sociais, sem distinção das confissões religiosas. O presidente do Conselho Cristão de Moçambique, José Moiane, acredita que a religião pode contribuir significativamente na redução das infecções pelo HIV/Sida.
Defende que as igrejas não encarem o Sida como um mito no seu seio e não se estigmatize o problema, muito menos as pessoas infectadas. Por seu turno, o Ministro da Saúde, Alexandre Manguele, lembrou que o Sida já atingiu contornos alarmantes em África, particularmente em Moçambique onde existem mais de 1.6 milhões de pessoas infectadas pelo vírus do HIV.
De acordo com Manguele, a fá que une as confissões religiosas e seus congregados é crucial para a percepção da necessidade de uma postura humana e responsável face aos desafios globais impostos pela pandemia. A problemática do HIV/SIDA, disse o governante, é uma emergência nacional para o Governo.
Exige dos diferentes intervenientes, nacionais e estrangeiros, Governo, Sociedade Civil, sector privado e parceiros de cooperação, uma coordenação efectiva de esforços para a maximização de resultados e racionalização dos escassos recursos alocado para o seu combate.
Refira-se que as infecções pelo HIV/Sida em Moçambique afectam maioritariamente a população escolarizada e urbana dos 15 aos 49 anos de idade (15.9%) e jovens dos 15 a 24 anos de idade (11.1%).