Marca, o principal jornal desportivo espanhol e o mais lido do país, mostrou na semana passada a sua influência ao obrigar Ramon Calderon, presidente do Real Madrid, a renunciar ao cargo.
O jornal, com uma tiragem de 340.000 exemplares e lido por cerca de 2,6 milhões de pessoas, reflete o dinamismo da imprensa desportiva espanhola, que também tem o As e os catalães Sport e Mundo Deportivo.
Com a publicação de denúncias de manipulação da última assembleia-geral, acompanhadas de fotos comprometedoras, o Marca desencadeou um processo irreversível que culminou com a queda de Calderon.
“É uma vitória da decência sobre uma conduta irregular e claramente mafiosa” da direção do clube, declarou à AFP o director do Marca, Eduardo Inda, considerando que Calderon foi o maior responsável pela sua queda.
“Começámos a investigar o caso no mesmo dia da assembléia”, realizada em 7 de Dezembro de 2008, depois de constatarmos “irregularidades”, explicou Inda, destacando que 15 dos 200 repórteres e editores de seu jornal se dedicam exclusivamente a acompanhar o dia-a-dia do Real Madrid.
Não é uma cobertura sistematicamente favorável, mas é abundante, já que é o maior clube de Madrid e um dos mais conhecidos do mundo, e o seu presidente “ é tão importante como um ministro”, sublinhou. O ‘caso Calderon’ aumentou as vendas em 50.000.
O Marca, apaixonado pelas (matérias) exclusivas e “manchetes” agressivas, reserva 60% de suas páginas à cobertura dos grandes clubes espanhóis.
Fundado em 1938 e transformado em diário em 1942, também tem uma página na “internet” e uma rádio com o seu nome.
Como o jornal El Mundo, o Marca pertence ao grupo Unidad Editorial, filial na Espanha do italiano RCS (Rizzoli/Corrierre).