No âmbito da monitoria da situação hidrológica prevalecente no País, o ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Fernando Rafael, efectuou, segunda-feira, 12 de Janeiro, uma visita de trabalho à Barragem dos Pequenos Libombos, localizada na província de Maputo.
A deslocação surge na sequência do aviso emitido pela Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos (DNGRH) e pela Administração Regional de Água (ARA-Sul) sobre o incremento progressivo das descargas daquela infra-estrutura, que passaram de 35 m³/s para 50 m³/s e poderão atingir cerca de 120 m³/s, em função da evolução hidrológica e da persistência de chuvas intensas no País e a montante, nos países vizinhos.
O governante sublinhou que a actual época chuvosa 2025–2026 apresenta um quadro preocupante ao nível nacional. “Constatámos, a partir desta barragem, que o nível hidrológico em todo o País está a tornar-se alarmante, resultante das chuvas e do escoamento das águas provenientes de países vizinhos como o eSwatini, África do Sul e Zimbabwe”.
Segundo o ministro, neste momento o País regista oito bacias hidrográficas em estado de alerta, designadamente Maputo, Incomáti, Limpopo, Save, Búzi, Púnguè, Zambeze e Rovuma, situação associada à ocorrência generalizada de chuvas em território nacional e nos países da região. Nas últimas semanas, caudais elevados em várias bacias das regiões Centro e Norte condicionaram a transitabilidade rodoviária em diversos distritos, afectando comunidades e o escoamento de bens e serviços.
No caso específico da Barragem dos Pequenos Libombos, Fernando Rafael explicou que a gestão das descargas está a ser feita de forma cautelosa e manual, atendendo ao facto de se tratar de uma barragem de terra.
“Quando iniciámos a época chuvosa, a barragem estava com cerca de 84% de armazenamento, e o nosso objectivo é manter os níveis de segurança, que se situam entre 70% e 75%, assegurando simultaneamente a protecção da infra-estrutura e a disponibilidade de água para a época seca”, referiu Fernando Rafael, acrescentando que apenas uma das sete comportas se encontra aberta, com descargas controladas.
Na ocasião, o governante reconheceu ainda os impactos localizados resultantes do aumento das descargas, com destaque para o galgamento recorrente da ponteca de Mazambanine, no distrito de Boane. Para mitigar os efeitos sobre as populações, o sector, em coordenação com o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), disponibilizou duas embarcações com capacidade para 12 passageiros cada, garantindo a travessia em segurança.
“Vamos continuar a monitorar a situação 24 horas por dia e a informar antecipadamente as comunidades, para que possam proteger as suas vidas e bens enquanto esta fase chuvosa persistir”, assegurou. Por fim, o ministro reiterou que o Governo se encontra mobilizado, em articulação com as instituições de gestão de riscos e desastres, para responder de forma atempada a qualquer agravamento da situação, sublinhando que a prioridade continua a ser a salvaguarda de vidas humanas, a protecção das infra-estruturas socioeconómicas e a integridade das barragens em todo o País.
