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MUANA MUCHUABO KHANKALA BURUTO

MUANA MUCHUABO KHANKALA BURUTO

Frederico Costa fala das suas ligações com a terra

O senso comum considera as pessoas oriundas da província da Zambézia trabalhadoras e batalhadoras. A concepção ganha mais vida, sobretudo, porque é sustentada pelo ditado local: “Mwana muchuabo khancala buruto”, que literalmente, significa: o natural da Zambézia nunca é bruto.

 

Nunca é bruto porque, segundo fontes locais, um filho deve estar minimamente treinado a ganhar a vida para não morrer à fome. Neste caso, se um chuabo não é pescador então é cozinheiro, se não for sapateiro deve ser um carpinteiro, se o destino não ditou que fosse piloto então deve ser um advogado, assim sucessivamente, mas nunca ficar sem nada para fazer.

Pelo país e além-fronteiras, encontram-se grandes figuras provindas dessa terra, desde cantores, políticos, jornalistas, académicos, apresentadores de rádio e televisão, entre outros. Só para lembrar, a falecida cantora Astra Harris e o nosso querido e saudoso jornalista Eusébio Casal, que Deus os tenha.
Procurando saber mais sobre o seu perfil, a terra e a sua gente, @Verdade conversou com Frederico Costa, apresentador do programa “Tudo às 10“ da TVM.

Costa nasceu há sensivelmente 50 anos no distrito de Lugela, província da Zambézia. Falando de si, diz estar bem com a vida e, apesar de radicado em Maputo, sempre mantém contacto com a sua província natal e está ligado à Comunicação desde 1984 como apresentador de rádio na sua província até 1994 quando veio para Maputo.

Em Maputo como apresentador de Televisão

Frederico Costa chegou a Maputo em 1995 a convite da antiga RTK-Rádio, quando esta acabava de abrir. Um ano depois, devido a algumas alterações na empresa, foi convidado para dirigir o sector ligado à televisão, onde produziu alguns programas. Porém, por causa de problemas de ordem funcional, a RTK desapareceu por muitos anos.

Devido à instabilidade da empresa, viu-se obrigado a dar novo rumo à sua vida. Nessa época teve a possibilidade de escolher duas opções: ir à Rádio Moçambique ou à Televisão de Moçambique, tendo escolhido esta última.

A TVM, que acabava de nascer – havia um novo edifício, os profissionais estavam entusiasmados, envolvidos com tudo e todos, fazendo com que cada um deixasse ficar o máximo de si.
Como apresentador de televisão, a sua carreira começa na TVM em 1998, através de uma direcção de programas, que permitia a todos os profissionais deixar a sua inspiração em jeito de criação que depois daria num programa.

Mas, a produção era muito carente e ficou a proposta sobre quem queria fazer um programa, em exclusivo, e alusivo ao dia 25 de Junho de 1998. Costa submeteu o seu projecto com os demais profissionais. Nesse processo nasceu o seu antigo programa,  “Convívio de Amizade” que considera ter sido  um sucesso e que durou cerca de 10 anos.

Foi assim que começou a fazer, efectivamente, televisão. Daí para cá, produziu vários programas de acordo com as necessidades da TVM. Actualmente, na companhia de Zita Ananias, apresenta o “Tudo às 10” que vai ao ar de segunda a sexta-feira às 10 horas.

Ligações com a terra

Apesar de estar longe das origens, Frederico Costa, continua ligado à terra que lhe viu nascer, através de contactos e algumas idas regulares.
Nesta ordem de ideias, fez parte do grupo fundador de uma comunidade sedeada em Maputo que comemora todos os anos, em Agosto, o aniversário da cidade de Quelimane, capital da província da Zambézia.

É também um movimento de apoio e ao mesmo tempo de reencontro de zambezianos que residem fora e que queiram partilhar recordações das velhas amizades, apresentar os filhos, conhecer outras pessoas, etc.
Por outro lado, o nosso interlocutor não descarta a hipótese de voltar a trabalhar na sua terra, em qualquer que seja a actividade. Todavia, considera que, devido ao actual estágio da sua actividade, seria um bocado complicado, pois que as pessoas auto-afirmam-se no seu labor de acordo com as tendências que têm.

Sobre a gastronomia da Zambézia

À volta da famosa gastronomia e os deliciosos pratos zambezianos, a fonte diz ter a ver com o passado. É que, na Zambézia, principalmente para aquelas famílias tradicionais, o almoço começa às 10 horas da manhã até depois das 21 horas e não se repete nada, portanto, é duma diversidade fantástica. Os pratos da Zambézia não são caros.

Falando sobre os seus pratos preferidos no mundo desta famosa gastronomia, o nosso interlocutor disse apreciar uma boa galinha à zambeziana, um bom mucuani, mucapata e dentre outros pratos, concluindo ser um bom “garfo”, razão pela qual, para si, é dificil distinguir uns pratos dos outros, visto que cada prato é mais gostoso que o outro.

Em Maputo não frequenta restaurantes especializados em comida zambeziana, primeiro por não ser amigo de restaurantes, segundo porque tem uma família, que faz questão de proporcionar, regularmente, pratos à zambeziana sem ser necessário deslocar-se a um restaurante.
Segundo o seu ponto de vista, muitos restaurantes estão a adulterar as receitas! Alguns põem, por exemplo, frango à zambeziana, quando do mesmo não há nada de zambeziano. O objectivo disso é, obviamente, vender mais.

O apresentador de “Tudo às 10”, diz sentir-se realizado e estar de bem com a vida, sobretudo pela relatividade com que o conceito se apresenta. Na sua opinião, sente-se encantado por estar vivo e usufruir dos momentos que essa mesma vida lhe proporciona. Basta-lhe que o sol nasça e acorde com saúde, não é apegado aos bens materiais!

Para o nosso entrevistado, o povo zambeziano é maravilhoso e a sua terra só não foi considerada “terra de boa gente” porque Vasco da Gama se enganou.

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