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A Contabilidade nas Atividades Informais: Evidências do Mukhero em Moçambique

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Este estudo tem como propósito analisar as motivações das mulheres moçambicanas que praticam o mukhero, as fontes de financiamento utilizadas, os procedimentos contabilísticos adotados e o papel da contabilidade na gestão do mukhero, fundamentando-se na teoria da perspetiva feminista (standpoint theory). A investigação é motivada pela percepção de escassez de estudos sobre as atividades informais na literatura contabilística, especialmente as realizadas por mulheres socialmente marginalizadas, o que torna relevante a introdução de uma realidade ainda pouco explorada no debate acadêmico.

É um estudo com abordagem qualitativa, exploratória e interpretativa, realizado com recurso a entrevistas semiestruturadas com 35 mukheristas, sendo parte delas realizada em Tsonga, língua materna das participantes. Este é o grande diferencial do estudo. Os resultados mostram que a principal motivação das mulheres para a prática da atividade informal é a necessidade de superar a pobreza, em função da falta de qualificações para a inserção no mercado formal. Igualmente, os resultados apontam que recorrem a fontes informais de financiamento, como familiares e amigos, e aos sistemas rotativos de crédito (xitique).

Quanto aos registos contabilísticos para o controlo do negócio, observa-se o uso da contabilidade manual (caderneta), em contraste com o que ocorre em empresas formais, e enfrentam dificuldades em compreender a relevância da contabilidade para a gestão do mukhero.

No que tange ao processo de tomada de decisão, as decisões são baseadas em necessidades familiares, com critérios emocionais e sociais, e são apoiadas pelo conhecimento prático das mukheristas mais experientes.

O estudo contribui para ampliar a compreensão do papel da contabilidade em contextos de pobreza, especialmente entre as mulheres economicamente excluídas, promovendo debates sobre a igualdade de género e o empoderamento feminino. Academicamente, reforça a contabilidade como prática social; politicamente, pode subsidiar políticas públicas mais adequadas às necessidades das mulheres no setor informal e às suas realidades.

Por Angélica Chiau, PhD EEG-Uminho

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