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História sugere que as reformas na China serão limitadas

Se a história serve de guia, a próxima série de reformas na China deve ser menor e mais lenta do que a anterior. Enquanto o presidente Xi Jinping e outros líderes do Partido Comunista se reúnem no fim de semana para um encontro histórico, os investidores externos que esperam amplas reformas deveriam considerar que as reuniões anteriores similares mostraram um padrão de retorno decrescente.

O encontro de quatro dias a portas fechadas dos 205 membros do Comité Central do Partido Comunista, oficialmente chamada de Terceira Plenária do 18º Congresso do Partido, acaba na terça-feira. No final, a plenária apresentará a nova agenda da administração chinesa, um documento de políticas que tradicionalmente tem servido de base para as mudanças.

Mas o histórico das plenárias da era moderna sugere que a China está a caminhar por uma trilha familiar a outras nações em desenvolvimento: conforme enriquece, os grupos de interesse se tornam mais obstinados, tornando mais difícil fazer uma grande reforma, mesmo num sistema autoritário.

Os investidores que aceitaram a visão convencional de que importantes reformas estão a chegar na segunda maior economia do mundo “podem esperar um choque”, disse Patrick Chovanec, estrategista-chefe da Silvercrest Asset Management, uma empresa de hedge fund sediada em Nova York.

“Nenhuma evidência até agora sugere que haja muito apetite para uma reforma de mercado revolucionária”.  As plenárias passadas foram fundamentais na China, principalmente em Dezembro de 1978, quando o líder recém-instalado Deng Xiaoping mudou o curso da história. Naquele encontro, ele ratificou uma decisão de abrir a então empobrecida e isolada economia chinesa. Em um mês a China tinha aprovado o primeiro projecto de investimento externo no país desde que o Partido Comunista chegou ao poder, em 1949.

E em quatro meses, o chefe do partido na província de Guangdong, Xi Zhongxun – um aliado próximo e pai do actual presidente – deu a Deng um plano ambicioso de abrir a região sul ao comércio e investimentos externos. Politicamente, Deng era incontestável. Ele desbancou Hua Guofeng como principal líder, a China estava economicamente enfraquecida e a oposição ideológica era muda, graças à repulsa pública a uma década de Revolução Cultural, da qual o país acabava de emergir.

Quinze anos depois, com a primeira onda de crescimento inebriante a começar a perder força e o investimento externo a diminuir depois do massacre da Praça da Paz Celestial, Jian Zemin presidiu uma terceira plenária em 1993. As reformas que se seguiram a esse encontro foram substanciais, mas não tão dramáticas nem tão rápidas.

Fundamental para a próxima fase de reformas era a reconstrução das empresas estatais, que então ainda eram dinossauros económicos, responsáveis pelo sistema de saúde e pela moradia dos seus funcionários e pela educação dos filhos destes. Na plenária de 1993, o partido prometeu reformar as estatais, e acentuar o papel do mercado – não o do governo – na alocação de recursos.

Eram as palavras certas, mas houve resistências das empresas e dos governos locais. No entanto, ajudado pelo vice-primeiro-ministro Zhu Rongji, mais tarde nomeado primeiro-ministro, o governo Jian forçou a mudança maciça no sector estatal.

Em 2003, na terceira sessão plenária do sucessor de Jiang, Hu Jintao, as grandes empresas estatais ajudaram a bloquear reformas, incluindo um “reequilíbrio” da economia e maior protecção ambiental, e elas estão mais ricas e mais poderosas hoje do que há 10 anos, de acordo com muitos economistas.

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