A Universidade Politécnica acolheu, recentemente, o Segundo Workshop de Capacitação em Garantia Interna da Qualidade para Instituições de Ensino Superior (IES) em Moçambique, uma iniciativa que dá continuidade ao trabalho desenvolvido na primeira fase, promovendo a reflexão sobre as experiências de implementação, a partilha de aprendizagens e o reforço da capacidade das instituições participantes para consolidar práticas sustentáveis de garantia interna da qualidade.
Sob o lema “Da Planificação à Implementação: Aprender, Melhorar e Sustentar a Qualidade”, o encontro deu continuidade ao processo iniciado no primeiro workshop, realizado em Maio último, centrando-se na passagem dos planos à prática, na reflexão sobre os desafios encontrados durante a implementação e na identificação de caminhos para melhorar, consolidar e sustentar as mudanças nas instituições.
Trata-se de um projecto de capacitação destinado a reforçar as competências de profissionais de IES em Moçambique na concepção, implementação e consolidação de Sistemas Internos de Garantia da Qualidade. A iniciativa enquadra-se na National Multiplication Trainings (NMT), no âmbito do programa Dialogue on Innovative Higher Education Strategies (DIES), promovido pelo Serviço Alemão de Intercâmbio Académico (DAAD), em parceria com a Universidade de Potsdam, da Alemanha.
O projecto é financiado pelo programa DIES, com fundos do Ministério Federal da Cooperação Económica e do Desenvolvimento da Alemanha (BMZ). A Universidade Politécnica acolhe institucionalmente a iniciativa, que se afirma como um espaço de construção colectiva, aprendizagem e partilha de experiências entre profissionais de diferentes instituições de ensino superior, com vista ao fortalecimento da garantia interna da qualidade no ensino superior moçambicano.
Na sua intervenção, a Vice-Reitora Académica da Universidade Politécnica, Prof.ª Doutora Marisa Mendonça, sublinhou que esta etapa permite às instituições olhar para o percurso realizado, aprender com as experiências de implementação e identificar formas de aperfeiçoar e sustentar os resultados alcançados.
“Chegámos agora a uma etapa particularmente importante, a de olhar para o que foi planificado, analisar o que conseguimos implementar, aprender com as experiências vividas e identificar como podemos melhorar e sustentar os resultados alcançados.”
A Vice-Reitora salientou ainda que a garantia interna da qualidade deve constituir uma responsabilidade permanente das instituições e integrar a sua cultura e o seu modo de funcionamento. Destacou, igualmente, a importância de transformar conhecimentos em práticas e de assegurar que as melhorias alcançadas não sejam pontuais, mas se consolidem de forma sustentável.
Segundo Marisa Mendonça, a capacitação representa, assim, uma oportunidade para avançar “da reflexão à acção, da planificação à implementação e da melhoria pontual à construção de uma cultura sustentável de qualidade”.
Por sua vez, Jorge Fringe, director da Direcção de Promoção do Sistema Nacional de Avaliação, Acreditação e Garantia da Qualidade do Ensino Superior (SINAQES), no CNAQ, que proferiu a palestra de abertura do evento, destacou a importância de utilizar os resultados da auto-avaliação como base para a definição e implementação de acções de melhoria.
Segundo o palestrante, a auto-avaliação permite às instituições identificar os aspectos em que apresentam um desempenho satisfatório e aqueles que requerem intervenção, criando uma base para definir os objectivos de melhoria a alcançar.
“Quando fazemos a auto-avaliação, queremos identificar onde estamos bem e onde não estamos a ter o desempenho desejável, para depois definirmos onde pretendemos chegar”, salientou.
Jorge Fringe destacou, neste contexto, a importância do plano de melhorias como instrumento para transformar os resultados da auto-avaliação em acções concretas, sublinhando a necessidade de assegurar a sua integração nos processos regulares de planeamento e tomada de decisão das instituições.
O representante do CNAQ defendeu ainda uma evolução de uma abordagem centrada essencialmente no cumprimento de requisitos para uma perspectiva orientada para a melhoria contínua, envolvendo toda a comunidade académica – dirigentes, docentes, pessoal técnico-administrativo e estudantes – na construção da qualidade institucional.
Durante a apresentação da síntese das aprendizagens do evento, uma das facilitadoras da capacitação, Nilsa Cherinda, destacou a importância de utilizar evidências para compreender os resultados dos processos institucionais, identificar as causas de eventuais insucessos e fundamentar a tomada de decisões.
Para a facilitadora, a conformidade com os requisitos constitui uma base necessária, mas não esgota o conceito de cultura de qualidade. Esta pressupõe aprendizagem contínua, acompanhamento dos resultados e capacidade de introduzir mudanças e melhorias de forma sistemática.
“Precisamos de estar em conformidade, sim, mas a cultura de qualidade, na verdade, é a melhoria dia após dia. A conformidade estabelece-nos uma base, mas uma cultura de qualidade é aquela que procura aprender com os resultados e melhorar de forma contínua”, afirmou Nilsa Cherinda.