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Através da obra “Kusheni”: Narciso Matos cruza memória pessoal e história colectiva da geração pós-independência

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Kusheni é a mais recente obra literária de Musumbuluku Nhuvu, pseudónimo do académico e escritor moçambicano Narciso Matos, lançada quinta-feira, 11 de Junho, na cidade de Maputo. O livro revisita os últimos cinquenta anos da história de Moçambique através da trajectória de um jovem, da sua companheira e dos seus filhos, numa narrativa inspirada em factos e personagens reais que procura preservar memórias, reflectir sobre o passado e compreender melhor o presente.

Segundo o autor, Kusheni constitui um exercício de recuperação da memória histórica e de afirmação de identidades frequentemente silenciadas ao longo do tempo.

“Quando os colonizadores chegaram às nossas terras, tiraram-nos os nomes e, com eles, tiraram-nos o clã, a tribo e o grupo social. Depois disseram que nós não temos história. Musumbuluku procura negar essa falsidade. Procura dizer que temos, sim, um passado, temos um presente e desenhamos um futuro”, afirmou.

A obra nasce da necessidade de não deixar cair no esquecimento experiências, vivências e acontecimentos que ajudaram a moldar diferentes gerações de moçambicanos desde os primeiros anos da Independência Nacional até aos dias de hoje. Ao longo das suas páginas, o autor procura preservar memórias e testemunhos para as gerações actuais e futuras, cruzando percursos individuais e familiares com alguns dos principais acontecimentos da história recente do País.

Na apresentação da obra, o académico, escritor e chanceler da Universidade Politécnica, Lourenço do Rosário, destacou a singularidade da narrativa construída por Narciso Matos, que recorre à personagem Musumbuluku para contar a sua história na terceira pessoa.

Segundo Lourenço do Rosário, a obra ultrapassa a dimensão estritamente autobiográfica para se afirmar como o testemunho de uma geração que viveu a transição para a Independência, participou na construção do País e atravessou algumas das mais importantes transformações sociais e políticas dos últimos cinquenta anos.

“A teoria literária consagra diferentes formas de um autor se apresentar como outro, seja através de pseudónimos ou heterónimos. Contudo, neste caso, Musumbuluku Nhuvu remete-nos para uma realidade associada às identidades construídas ao longo da história dos cidadãos moçambicanos nascidos no Estado colonial”, observou.

Musumbuluku Nhuvu estreou-se nas lides literárias em 2023 com a obra Ndangu wa Txindi na Musumbuluku (O Lar de Txindi e Musumbuluku, em português). É igualmente autor de Mishu 1952–1975 (2024) e Matlavi (2025).

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