Moçambique precisa de mobilizar cerca de 11 mil milhões de dólares norte-americanos para responder a uma agenda de emergência hídrica, num contexto marcado pelo agravamento das mudanças climáticas e pela crescente pressão sobre os recursos hídricos.
A informação foi avançada segunda-feira, 23 de Março, na cidade de Maputo, pelo ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Fernando Rafael, durante a abertura de uma mesa redonda, realizada pelo sector de águas e saneamento e seus parceiros, sob o lema “Moçambique: Acelerar o Investimento para a Universalização do Acesso à Água e Saneamento”.
Segundo o governante, trata-se de um investimento estruturante, com impacto directo na agricultura, na indústria, na pesca, no turismo, nos serviços e na protecção das populações. Por isso, o valor será destinado à construção de infra-estruturas vitais.
“Sabemos, porém, que a capacidade de armazenamento existente permanece insuficiente face à crescente pressão climática e ao aumento da procura. Neste contexto, importa sublinhar que, no simpósio de recursos hídricos sobre as cheias 2025-2026, foi consensual entre especialistas do sector que Moçambique precisa de mobilizar cerca de 11 mil milhões de dólares para alcançar a segurança hídrica no contexto da emergência climática”, apontou Fernando Rafael.
Por seu turno, o presidente do Conselho de Administração (PCA) da recém-criada empresa Águas de Moçambique (AdeM), Augusto Chipenembe, destacou os principais desafios que o sector enfrenta, com enfoque para as perdas de água e a eficiência institucional.
Segundo o responsável, as perdas situam-se, actualmente, na ordem dos 45%, o que compromete a sustentabilidade das empresas e acentua as assimetrias no abastecimento de água e saneamento.
“Temos, ao nível da zona urbana, uma cobertura na ordem dos 80% no abastecimento de água, mas apenas cerca de 21% em termos de saneamento. Enfrentamos, também, desafios de natureza institucional, incluindo processos de transição de mandatos que geram custos adicionais. Neste contexto, pretendemos introduzir um novo modelo de gestão na AdeM, assente na eficiência”, referiu o PCA.