Face ao agravamento da situação hidrológica na bacia do rio Limpopo, caracterizado por chuvas intensas e elevados volumes de escoamento a montante, o ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Fernando Rafael, efectuou, quinta-feira, 15 de Janeiro, uma visita de trabalho à Barragem de Massingir, na província de Gaza, com vista a avaliar o comportamento dos caudais e as medidas de gestão das descargas daquela infra-estrutura.
A visita enquadra-se na monitoria da segunda fase da época chuvosa, que decorre de Janeiro até finais de Março. De acordo com o governante, nos últimos dias tem-se registado precipitação intensa e consecutiva, situação que está a provocar um impacto significativo no nível de armazenamento da Barragem de Massingir.
Para além das chuvas locais, verifica-se um escoamento de grandes volumes de água, proveniente de países a montante, com destaque para a África do Sul, onde várias barragens atingiram o seu nível máximo de armazenamento. Este cenário tem condicionado a capacidade de redução das descargas, uma vez que o volume de água que entra na albufeira permanece elevado.
Segundo o ministro, a barragem atingiu, pela primeira vez desde 1977, uma quota histórica superior a 127 metros, representando um cenário sem precedentes e de elevado risco. “Estamos perante uma situação fora do nosso controlo, devido ao volume de água que continua a entrar na barragem. As cheias previstas serão de grande magnitude, afectando não só as zonas baixas, mas também as áreas urbanas”, advertiu.
Actualmente, a Barragem de Massingir está a descarregar cerca de 10.000 metros cúbicos por segundo, com todas as 14 comportas abertas, incluindo o descarregador auxiliar. Perante este cenário, o Governo apela às populações que vivem em zonas de risco, particularmente nas áreas ribeirinhas e zonas baixas dos distritos de Chókwè, Guijá, Chibuto e Xai-Xai, para abandonarem de imediato esses locais, de forma a salvaguardar vidas humanas. As autoridades recomendam igualmente a não travessia dos leitos dos rios e o acompanhamento permanente da informação oficial divulgada pelas entidades competentes.
Dados recentes indicam que as chuvas registadas a montante poderão agravar o risco de inundações noutras bacias do sul do país, nomeadamente Incomáti, Umbelúzi e Maputo, bem como intensificar as inundações urbanas nas cidades de Maputo e Matola, apelando à máxima vigilância e adopção de medidas preventivas por parte das comunidades.
Num outro desenvolvimento, Fernando Rafael assegurou que o Governo continua a prestar assistência às famílias potencialmente afectadas, em coordenação com o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), estando criadas condições para a activação de centros de acomodação e a disponibilização de meios, incluindo embarcações, para facilitar a deslocação segura das populações das zonas de risco.
